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domingo, 11 de março de 2012

Viagem ao prato






Todos os anos milhões de ovelhas, porcos e bovinos, são transportados através da Europa. Frequentemente em viagens extremamente longas e em condições desumanas.
Estas viagens, além da tortura que representam para os animais, propagam doenças.


Um exemplo é a febre aftosa, que assim foi transmitida do Reino Unido para a França e a Holanda. Os cordeiros são enviados por transporte terrestre para os mercados. Estes mercados são locais ruidosos, mal cheirosos e cheios de pessoas desconhecidas. Os animais são obrigados a ficar de pé horas seguidas, em cercados tão pequenos que não podem sequer deitar-se. Não dispõem de água, e nos dias de verão podem ficar desidratados. São levados em caminhão para o porto de Dover. Daí atravessam o Canal da Mancha por barco. No continente são levados à Bélgica ou Holanda e, 24 horas mais tarde, muitos dos animais são re-exportados para o sul da Europa.
Nestes percursos são amontoados em caminhões com ventilação insuficiente, e de modo geral não recebem comida nem água, mesmo em viagens de 40 ou mais horas.


A Comissão Europeia já em 1993 reconheceu que as leis que garantem o minímo bem-estar para os animais nestes transportes estavam a ser ignoradas.
Nos processos de carga e descarga são pontapeados, castigados e arrastados pelas patas. É frequente o uso de um aguilhão eléctrico.
Com as más condições o calor converte-se num inimigo mortal, cuja gravidade é proporcional à duração da viagem.
Uma viagem desde o norte do Reino Unido até Grécia, passando pela Bélgica ou Holanda, e o porto de Bari (no sul de Itália) dura no minímo 60 horas. A duração pode, contudo, ultrapassar as 100 horas.
Em certas ocasiões os caminhões têm de esperar nos portos, desde várias horas até 2 dias, por um barco. Neste intervalo os animais não são descarregados nem assistidos.


A Europa inteira é entrecruzada por estas viagens. Cerca de um milhão de leitões para engorda são exportados da Holanda para Espanha e Itália. A Holanda exporta, igualmente para abate, cerca de um milhão de porcos por ano. Bovinos e bezerros são transportados desde a Irlanda a Espanha e Itália.
A Espanha exporta ovelhas que serão abatidas na Grécia. Mais de 100.000 cavalos são levados cada ano desde a Europa de Leste à UE em viagens que podem durar até 90 horas. Na Hungria (apenas a meio do caminho para Itália) encontram-se já numa condição deplorável: exaustos, feridos, desidratados, mortos ou moribundos. Os que tombam sem forças são brutalmente espancados para que se levantem. . Os mais fracos ou feridos são tratados com crueldade para se moverem. Os que têm fracturas são levantados e pendurados pelas patas com cordas. Assim são deixados num caminhão que os levará ao matadouro. No matadouro, por fim, são frequentes práticas de abate ilegais. O animal abatido nem é aturdido (tornado inconsciente) antes que lhe seja cortada a garganta. A maior parte das vezes demoram vários minutos a morrer.


Inúmeros bovinos são exportados da EU (Alemanha, Irlanda e França) para o Médio Oriente e o Norte de África (especialmente o Líbano).
Este comércio recebe importantes subsídios denominados "restituições à exportação". Estas ajudas não têm o objectivo de melhorar as condições dos animais, mas sim incentivar a exporação. Os contribuintes estão a subsidiar o negócio sob o único objectivo de enviar fora das fronteiras o excedente de carne produzida.


Em relação às condições dos matadouros não é necessário sair do nosso continente para encontrar exemplos típicos dos métodos utilizados. Associações pela defesa dos animais já denunciaram práticas desumanas na Grécia, Itália, Espanha, França e Bélgica.
Os animais são arrastrados pelas patas detrás com a cabeça pelo chão. Os processos de abate às vezes são tão ineficientes que eles correm o risco de recuperar a consciência enquanto estão em fase terminal.


Texto extraído de: http://www.centrovegetariano.org/Article-44-Transporte%2Bde%2Banimais.html



quinta-feira, 1 de março de 2012

Historia do passarinho

         



                                                


           Dentro da cultura tradicionalista gaúcha os animais, em linhas gerais, são vistos como fonte de exploração e consumo (churrasco), sendo-lhes reservado um papel meramente coadjuvante e subalterno nas manifestações artísticas próprias desse estilo regional. No cancioneiro dos trovadores populares, não faltam descrições de esporas na virilha, relhaços, laçassos e abate de quadrúpedes para a satisfação do paladar. Nós, gaúchos, mantemos a nossa fama de machos apoiando-nos em atos "heróicos" como esses, praticados contra seres vulneráveis e escravizados.
          Felizmente, aqui também existem alguns lampejos de sensibilidade, como esse, escrito pelo saudoso cantor e compositor Gildo de Freitas (1919-1982), um expoente da música tradicionalista rio-grandense. Vale á pena escutar esses versos, que testemunham a visão e sabedoria de um homem simples do campo.






Eu destinei um passeio
Domingo muito cedinho
Peguei o meu violão
E fui para o mato sozinho
Descobri uma figueira
Com os galhos cheio de ninho
E passei a manhã inteira
Debaixo dessa figueira
Apreciando os passarinhos
Como eu tava achando lindo
O viver dos passarinhos
Se via perfeitamente
Vir com a fruta no biquinho
Se via quando eles davam
No bico do filhotinho
E eu ali estava entertido
Com o viver tão divertido
Da vida desses bichinhos
Depois veio o negro velho
E também trazia um negrinho
E este tinha uma gaiola
E dentro dela um bichinho
Perguntei que bicho é este
Diz ele este é um canarinho
Com este bicho que está aqui
Nas florestas por aí eu caço
Qualquer passarinho
Cantava que redobrava
Aquele pobre bichinho
Parece até que dizia:-
É triste eu viver sozinho...
só porque eu fui procurar,
Comida pra os filhotinhos...
E fui tirar desse alçapão...
Hoje eu estou nesta prisão
e nunca mais fui no meu ninho
Aí eu fui recordando
o que já me aconteceu
Há muitos anos atrás
Que a policia me prendeu
O juiz me condenou
e depois de mim se esqueceu
E eu pelo radio escutava
Quando os colegas cantava
E aquilo me comoveu
Então eu fui perguntando
Quanto quer pelo bichinho
Respondeu ele eu não vendo
Eu cacei pra o meu filhinho
Porém saiu uma voz
Da boca do gurizinho
E a gaiola custou 10
Quem me der 20 mirreis
Pode levar o passarinho
Comprei com gaiola
E tudo para evitar discussão
E fui abrindo a portinha
E abrindo meu coração
E o bichinho foi saindo
E eu peguei meu violão
E num versinho eu fui dizendo
O que tu estava sofrendo
Eu já sofri na prisão
Quem vai caçar de gaiola
Pra ver os bichos na grade
Deveria ser punido
Pelas mesma autoridade
Porque o coração dos bichos
Também consagro amizade

O lei tu faça o que puder
Mas os bichos também quer
Ter a mesma liberdade
.


                        

                                  Som na caixa...


         
         

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Rainha das Águas

       Saudações á Iemanjá, protetora dos oceanos e serva da grande Mãe Terra. Seu dia é comemorado em 02 de fevereiro, em quase todas as praias do litoral brasileiro.