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sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Série Encantados- Resenha

         





         Comentar a Série Encantados, projeto concebido, batalhado e concretizado pela Patrícia, autora de ímpar capacidade criativa, ativa-me sentimentos antagônicos que remetem-me aos primórdios da elaboração dessa obra. Se, por um lado, me sinto um tanto envergonhado pela preguiça que impediu-me de resenhar antes esse episódio piloto da série, virando a moeda, fico honrado em ter sido um dia convidado pela autora a participar dessa ousada e ambiciosa empreitada. Considero de uma admirável coragem, alguém conduzir narrativas distintas entre si, em formato de novelas, ao longo de um extenso número de capítulos. Somente uma escritora centrada em suas metas artísticas consegue apresentar aos leitores uma opção de entretenimento literário como essa. Na época do convite, um dos fatores que mais inclinou-me a olhar com bons olhos o projeto, foi a abrasileirada proposta de se fazer literatura fantástica com elementos do nosso folclore e sobrenatural. Por que, de fato, precisamos ficar reverenciando as lendas e costumes do outro lado do Oceano Atlântico, se bem aqui, em nossa cultura, possuímos uma gama de personagens e entidades místicas que aguçam a curiosidade, temor e devoção de todos nós?
            Em “Encantados”, o amplo sincronismo entre elementos da Umbanda e fábulas dos quatro continentes, repletas de samurais, guardiões e demônios inclementes, é marcante e permeia todos os episódios de estréia da série. Patrícia faz uma justa homenagem à religiosidade que compões o vasto panteão de deuses e semideuses presentes na tradição popular desde tempos ancestrais, em grande parte inspirada na mitologia africana.
            Foi ela novamente, a preguiça, quem impediu-me de naquela época conceber uma história que se encaixasse no contexto sugerido por Pat. Dedutivamente, isso me faz crer que um contista como eu é, na verdade, um escritor preguiçoso que se nega a trabalhar em extensos e intermináveis textos. Quando me deparo frente a criações de tal envergadura, verdadeiras sagas, não me resta outra reação a não ser maravilhar-me e aplaudir, em atitude de reconhecimento a quem de fato trabalha e extravasa em linhas o seu universo criativo.
             A autora constrói as tramas com tal mistério e adrenalina, que o leitor sente de fato curiosidade de acompanhar a seqüência inteira, seduzido pela dinâmica das histórias. A luta entre a luz e as trevas pontua majestosamente todas as novelas que compõe a obra, numa ode à coragem, a determinação, a disciplina e a força. Força que move os braços de  todos os guerreiros que defendem com ímpeto as causas que acreditam. Peculiarmente, chamou-se a atenção tamanha desenvoltura com que ela extrai da luta bem X mal, enigmas nos quais os personagens, somente a longo prazo, revelam o time em que jogam. Isso acontece, marcantemente, em “Raptores”, onde homens e feras misturam-se e repelem-se demonstrando apenas parcialmente as suas verdadeiras intenções. Mesmo não explicitamente, a mensagem otimista e revigorante é uma característica perceptível aos olhares mais atentos, entre os quais, sem falsa modéstia, coloco-me eu. Histórias de superações, mesmo as mais fantásticas e fictícias, têm o dom de inspirarem confiança, e isso acontece em Encantados diversas vezes. Tive gana de transformar-me em samurai, saindo em busca do instrutor que lapidaria o meu diamante bruto. Tive, primordialmente, esperança na vitória da luz, apesar de todas as mazelas que atualmente afligem a sociedade.
            Faço também, uma justa alusão ao bônus track do escritor porto-alegrense Alex D’Guyan, que abrilhantou o livro com “Sol Negro & Lua Branca, novela que se harmoniza graciosamente ao estilo de Patrícia, esbanjando familiaridade com elementos da cultura cigana.
            Sinto, de fato, curiosidade em saber o que reserva o destino para esses tantos personagens, e isso atesta o êxito da obra, criada para entreter á longo prazo os amantes da boa escrita e ávidos por aventuras. Um grande escritor ou escritora, segundo penso, não se constrói ou consolida com uma só obra, mas sim através do histórico e dedicação apresentados ao longo da carreira. Sem bajulações formais e desnecessárias, estamos diante de uma séria candidata ao posto.

     
                                                  
                                                      Pitadas de Encantamento

AMALDIÇOADOS-  Após sangrenta batalha contra um vampiro que, momentos antes tomara a vida de uma criança, a caçadora de demônios Mohini, apesar do triunfo na luta, oferece-nos angustiantes momentos de dor física e moral diante do inanimado corpo da inocente. Não conseguia evitar o sentimento de impotência que a assolava. Era como se tudo que tivesse feito em sua vida não fizesse sentido. Não quando havia tanta crueldade no mundo.  No limite das suas forças, é acudida por um misterioso benfeitor, que a conduzirá para uma viagem restauradora.

FILHOS DO DIABO- Uma agradável e convidativa noite quente de verão torna-se um tormento para Maria Padilha, que resolve puxar assunto com um desconhecido na praça. Vampiros astrais acabam quebrando a aparente monotonia sob o luar.

ORISHÁS- Num período crítico, de degradação moral da humanidade, monstros são atraídos magneticamente para a atmosfera do planeta, praticando abomináveis crimes insuflados por bárbaros instintos. O clima de total insegurança compadece os orishás, que em conselho decidem buscar a única guerreira capaz de pôr termo aquele lento suplício. Foluke, a mestiça nipo-brasileira, de belos e bastos cabelos negros encaracolados e pele trigueira, filha de um respeitado babalorixá, têm em mãos a inadiável missão.

RAPTORES- Nessa novela, Patrícia tremula forte o seu estandarte verde e, não por acaso, faz desse o meu momento predileto da obra. A Dra. Luzmarina Lopes, bióloga ligada á um grupo de cientistas ambientalistas unidos para preservar florestas nativas em todo o mundo, coleta amostras do solo em plena floresta da Península Ibérica. Rodeada por homens, bestas e guardiões da floresta, vê-se em perigo por confrontar poderosos interesses econômicos dos predadores naturais do planeta.  


Para adquirir :

http://www.clubedeautores.com.br/books/search?utf8=%E2%9C%93&what=pat+kovacs&sort=&commit=BUSCA

sábado, 20 de outubro de 2012

Resenha- O Grande Pajé



          Resenha da escritora Pat Kovacs sobre o meu 2º livro, lançado em caráter oficial na 57ª Feira do Livro de Porto Alegre. Valeu Pat e saudações literárias aos ilustres visitantes do blog.

O Grande Pajé é uma coletânea totalmente anárquica e independente, produzida com uma noveleta, que dá o nome ao livro, e mais onze contos. Com a liberdade criativa que apenas um autor autopublicado pode dar ao seu trabalho, no livro se encontra desde textos narrativos mesclados à poesia, até cópia de panfleto, anúncio de jornal e receita gastronômica!

Há algo de religiosidade, regionalismo e brasilidade. Os personagens são reais, podendo ser o vizinho que mora ali na esquina, o pedestre que atravessa a rua lá de cima, a dona que só anda com aquele carrinho de feira, você mesmo e eu também.

Em todos os textos, Cesar Soares panfleta sobre as causas que milita: a Cannabis – pelo seu uso livre como qualquer outra erva – e a exploração animal – desde o consumo da carne e derivados até o uso para suprir a carência afetiva humana.

Este livro não trás uma simples leitura de entretenimento, muito pelo contrário. É uma leitura reflexiva, em que o autor aproveita de uma valiosíssima ferramenta – a Literatura – para expor suas ideias, seus conceitos e ainda ser o palco em que ele defende arduamente aquilo que acredita e trabalha para as mudanças acontecerem.

A seguir, comentarei sobre três contos, sintetizando o espírito da obra.

A noveleta “O Grande Pajé” reconta uma conhecida história do mundo cristão: o nascimento, a vida e a morte de Jesus. Neste texto, a história ganha contexto contemporâneo, mas na concepção de Cesar Soares, o fim é o mesmo, resumidamente: a humanidade continua a ser traiçoeira e hipócrita, e continua a oprimir e matar os seus iluminados, quando estes vem mostrar a questão mais básica e simples que existe, ameaçando o domínio de alguns sobre a massa: que o Poder está em nós.

“Amigo Bicho” tem o mesmo contexto anterior: mostra como, no final, o ser humano pode ser tanto traiçoeiro quanto hipócrita. De todos os contos, este foi o que mais me abalou, por seu final inesperado. Ainda agora, depois de tantos meses que já li o livro, sinto a dor emocional da pobre galinha que acreditava ser de estimação tanto quanto a cadelinha da casa, ficando para o leitor a mensagem: “Por que ama uns e come outros?”

Cesar é de uma admirável coragem quando prega em seus textos e palestras sobre o Veganismo, estando ele no estado mais carniceiro do país, o Rio Grande do Sul. Os textos “Aquele Vitelo”, “Meu Pequeno Tambo” e “O Fígado” aponta escancaradamente para essa questão do consumo desnecessário de produtos e alimentos de origem animal, condenando criaturas, com tanto direito à vida como nós, ao holocausto diário que terminará sempre com uma morte cruel – por mais “humanizada” que os defensores da indústria pecuária queiram fazer parecer. Tudo isso para o quê? Apenas por gula: seja a palatável, seja a consumista. Condena-se um ser a uma subexistência miserável e uma morte dolorosa e cruel por conta de apenas 3 segundos de paladar... E depois ainda querem que Deus alivie a barra quando essa pesa :/

Em “O Homem da Ganja”, o autor aponta a hipocrisia, tanto do Estado quanto dos cidadãos, sobre a criminalização da maconha. Essa questão eu também gostaria de saber: por que a Cannabis é criminalizada e o cigarro não, mesmo com os seus milhares de componente venenosos? Por que o usuário é marginalizado e o alcoólatra é socialmente tolerado? As drogas lícitas não são muito mais letais, inclusive a terceiros?

Com o livro “O Grande Pajé”, Cesar Soares deu a sua contribuição para “salvar o planeta”, como é a sua intenção literária confessada em entrevista. A sua semente plantada virou árvore e deu frutos, e estes estão disponíveis para todos aqueles que quiserem adquirir. Livro de entretenimento? Não tão somente. Livro para reflexão, principalmente.


                                   

domingo, 7 de outubro de 2012

Lei da Ficha Limpa





A chamada Lei da Ficha Limpa, antigo anseio popular, impede o político condenado por órgãos colegiados de disputar cargos eletivos. Foi aprovada no Congresso e sancionada por Lula em 2010, ano eleitoral. A aplicação da lei, porém, dividiu opiniões e levou a um impasse que só se resolveu cinco meses após a eleição, quando o Supremo decidiu que a regra só valerá em 2012. Numa análise rápida pode parecer uma derrota dos eleitores para os políticos corruptos. Não é. Ao decidir pela aplicação da lei apenas a partir de 2012, o tribunal preservou a segurança jurídica brasileira, um dos pilares da democracia


Fonte: //www. veja.com






A lei é uma ação punitiva à criminosos políticos ou suspeitos, ela visa impedir que políticos nessas situações atuem ou participem de eleições. O intuito disso é preservar a moralidade e conservar a integridade da máquina pública. Segundo seu  Artigo 41, será punido o candidato que ‘doar, oferecer, prometer, ou entregar, ao eleitor, com o fim de obter-lhe o voto, bem ou vantagem pessoal de qualquer natureza, inclusive emprego ou função pública, desde o registro da candidatura até o dia da eleição’, as penas previstas na lei da ficha limpa prevêem desde multa de 1.000 a 50.000 reais á cassação do registro ou do diploma.
O grande trunfo dessa lei é que enfim ela constitui um mecanismo que busca punir os corruptos já que o atual sistema de CPIs era falho, uma vez que o acusado podia escapar da punição caso abandonasse o cargo antes do inquérito ser aberto. Com o advento da lei da Ficha Limpa, o político estando ou não em exercício do cargo é investigado e julgado. E se prevê que com afastamento dos corruptos as eleições poderão enfim escolher melhores líderes e garantir que o dinheiro publico seja respeitado.



Fonte: //www.resumododia.com