Se existe um nome que personifica, em nossa conjuntura política atual, recheada de safados demagogos, o significado inconfundível do termo canalha diplomado esse ser vivente chama-se Renan Calheiros. A sua recente reeleição para Presidente do Senado Federal representa toda a absurda inversão de valores que atualmente inspira as nossas instituições sociais. Como, um homenzinho desses, cheio de acusações da Procuradoria Geral da República nas costas, é alçado ao posto máximo de um órgão legislativo de extrema importância dentro do Estado Democrático de Direito?
Apenas a título de mera curiosidade informativa, abaixo listo algumas (somente algumas) broncas que o nosso ilustre "homenageado da semana" envolveu-se em suas andanças por palácios e gabinetes do país:
* Acusado de pagar a pensão alimentícia de uma filha nascida fora do seu casamento utilizando, mensalmente, generosa ajuda de alto funcionário da empresa Mendes Junior. Chamado para dar as devidas justificativas, enredou-se ainda mais, pois tentando comprovar a sua renda, apresentou ao Senado da República notas frias e documentos falsificados, motivando nova denúncia, dessa vez ao Supremo Tribunal Federal
*Como proprietário da "Agropecuária Alagoas Ltda.", foi acusado de crime ambiental pelo Ministério Público Federal daquele estado, por pavimentar ilegalmente, sem licença ambiental, um trecho de 700 metros dentro de reserva ecológica. A referida via, coincidência ou não, liga a "Fazenda Alagoas", pertencente ao grupo de Renan, à BR 101, principal rodovia que corta o estado.
* Segundo informações de conceituado jornal do Sudoeste do país, em 2013 pediu ao Senado um reembolso de R$ 10.000,00, relativos á serviços que não teriam sido prestados à ele, Tal verba, denominada cota, é destinada ao reembolso de serviços e produtos comprados, mediante apresentação de nota fiscal.
Acreditem, tem mais, muito mais historinhas sobre esse homem na imprensa. Não quero, por outro lado transformar essa postagem numa formal biografia criminal dele. Contento-me em lembrar-lhes que o digníssimo engravatado foi recentemente enredado, através de caguetagem premiada, no escândalo da Petrobras.
Jose Renan Vasconcelos Calheiros é o nome da impunidade e representa os previlégios, mandos e desmandos da classe política. Cesar
Explicar, defender, falar de maconha, todos sabemos, é considerado uma
grande heresia em nossa conservadora sociedade. Se isso aplica-se aos dias
atuais, onde nos orgulhamos de viver num mundo mais democrático, onde as
liberdades individuais são respeitadas e toleradas, imaginem nas décadas de 60, 70
e 80, onde discursar ou cantar sobre a erva era, ainda mais implacavelmente,
tachado de apologia às drogas.
Chamar pra si a defesa de uma planta tão amaldiçoada pela ignorância e
desinformação do homem é, no mínimo, um ato decoragem. Percebemos que vem da classe artística amaioria das opiniões favoráveis ao consumo da
cannabis, sendo a música, através do estilo reagge, a maior protagonista em
exemplos contestatórios. Um nome, em particular, merece menção destacada quando
o assunto é bater de frente com o preconceito: Peter Tosh, jamaicano que, ao
lado de Bunny Wailer e Bob Marley fundou um dos grupos mais respeitados e
influentes da história, os The Wailers.
Em
meu entendimento, como estudioso e apreciador musical, todos os três nomes
acima citados são estrelas e ajudaram a popularizar um estilo de vida
essencialmente pautado pela religiosidade, a cultura Ras Tafari (que será tema
de futura postagem). A nível de mídia, em linhas gerais, atribui-se a Bob
Marley a soberania absoluta dentro do universo "reagge music",
posição esta que contesto parcialmente. Ao mesmo tempo que admiro e reconheço o
papel de Marley como missionário, que contribuiu decisivamente para a
popularização de tal estilo musical pelo mundo afora, acho necessário tornar
conhecidos outros personagens que, da mesma forma, expandiram através de versos
e acordes a mensagem de Jah, o Deus soberano dos rastas.
Peter
Tosh, conforme comentários introdutórios, foi um contestador agudo e implacável
do sistema, com suas contradições e hipocrisias disfarçadas. Não sentia
acanhamento algum em acender seus generosos e estufados cigarros de cannabis no
palco, algo que dentro da sua filosofia de vida lhe era essencialmente natural.
Isso o fazia, sem receio do preconceito, racismo e moralismo que dominavam a
sua época e persistem ainda, intocáveis, até os dias de hoje. Por esse e outros
motivos, considero-lhe o artista pioneiro na luta pró legalização da maconha,
que em sua época Jah alertava-nos sobre uma questão tão pertinente, que
continua e continuará dividindo opiniões.
Enfrentou e denunciou a malícia de
políticos. Foi vítima, escreveu e cantou a brutalidade policial. Pediu igualdade
de direitos à todos, sem distinção de classe social. Compôs melodias
devocionais, em honra ao seu Deus, Pai e Criador. Declarou predileção e
respeito à uma erva considerada, segundo a sua fé, sagrada. Esse foi Wiston Hubert McIntosh, que apresento à seguir, em breve biografia e através de
sua divina música.
Cesar
Peter
tosh nasceu numa comunidade rural chamada Westernmost - Jamaica - em 19
de Outubro de 1944, com 15 anos foi viver na capital da Jamaicana
kingston. Cedo conheceu Bob Marley e Bunny (Wailer) Livingstone,
formando com eles uma forte amizade que os viria a juntar mais tarde
como trio vocal. No ínicio Peter tosh era o único que detinha alguns
conhecimentos tanto musicais como a nível de instrumentos, ensinando Bob
e Bunny a tocar violão. Na primeira metade dos anos 60 o trio já tinha
nome chamando-se “Wailing Wailers” e em 1965 - 5 músicas do Top 10
Jamaicano eram discos deles. Em 1972 Chris Blackwell Presidente da
“Island Records” assinou com o trio, o qual originou ao 1º LP “Catch a
Fire” que continha Peter nas vocais em “Stop that train” e “400 Years”. Na
Jamaica eles abriam ínumeros shows com vedetas como “The Jackson Five” e
Marvin Gaye. Em 1974 devido a problemas internos no seio do grupo
(qualquer dos três tinha potencial para ser o “Lead Vocal do Trio"),
acabam por se separar para iniciar a carreiras solo. O ano de
1976, foi o momento da edição do 1º LP de Tosh solo - "Legalize it" - o
controverso single foi imediatamente proibido nas estações de rádio
Jamaicanas, mas mesmo assim foi um dos LPs mais vendidos da história da
música Jamaicana. Depois de "Legalize it" mais clássicos foram
construídos por Tosh entre eles destaco “Equal Rights” e uma das minhas
preferidas de sempre de Tosh “Fools Die” (LP Wanted Dread and Alive). Em
1978 Peter Tosh é agredido quase até á morte pela polícia durante o
“One Love Peace Concert” devido a palavras dirigidas ao Primeiro
Ministro Jamaicano. Tosh sai da Jamaica para ir viver nos Estados
Unidos e a convite de Mick Jagger associa-se á editora Rolling Stones,
desta colaboração é editado o LP “Bush Doctor” que inclui o dueto com
Mick Jagger “Don't Look Back”, o 2º LP a sair através da Rolling Stones
foi o “Mystic Man” que contém para além do soberbo “Mystic Man”, também
“The Day the Dollar Die” e “Buk-in-Ham Palace”. Também Eric Clapton era
fã de Tosh ao ponto de gravar um dueto com ele na Música “Watch You
Gonna Do”. Segue-se em 1981 o LP “Mama Àfrica" que inclui a brilhante
canção que dá o nome ao Álbum e claro, a conhecidíssima “Johnny B Good”
uma cover do clássico de Chuck Berry. Entre 1983 e 1987 Tosh
apenas viajava por África, dava alguns concertos e recuperava de
agressões que sofreu várias vezes pela polícia. Neste período a nível
músical nada gravou, a não ser em 1987 o álbum “No Nuclear War” que lhe
mereceu um Grammy em 1988. Infelizmente pouco tempo depois da edição do
álbum a 11 de Setembro de 1987, Tosh e mais duas pessoas são
assassinados na sua casa em Kingston, (sempre se falou que terá sido um
mero assalto mas, ...).