sábado, 3 de outubro de 2015
Devorador de letras
Escrevo...
Não pela minha inteligência,
que é limitada,
mas pela minha inspiração,
que é nutrida.
Escrevo...
Não pela minha religião,
que é confusa,
mas pela minha fé,
que é bastante apurada.
Escrevo...
Não porque admiro,
porque gosto ou acho bonito,
mas sim porque preciso.
Como se fosse eu,
um verdadeiro devorador de letras,
capaz de vomitar a escrita...
Escrevo...
Porque o mundo em si não é copiado.
Porque o universo,
é um disco de formas criadas.
Escrevo, isto sim,
Porque é o único sonho profundo,
capaz de me tirar do nada.
Cristiano Almeida
domingo, 20 de setembro de 2015
Se os militares assumirem, melhora.
Essa
citação popular vêm sendo repetida com uma frequência que considero espantosa
nos últimos tempos. Ao menos em meu círculo de relacionamentos, não são poucas
as pessoas que defendem um novo golpe ou intervenção militar como a única solução aos
problemas do país. Com todo o respeito que merecem estas, dentre as quais
muitas mantêm comigo laços de consideração e cordialidade, venho aqui,
terminantemente contrapor um NÃO, mais um NÃO e outro NÃO!
O
governo Dilma Rousseff e o seu
partido não me inspiram, seja dita a verdade, qualquer entusiasmo. Acho, no
entanto, exageradas e oportunistas essas sugestões de Impeachment orquestradas pela oposição, que por sinal, apenas
reflete os velhos vícios político-partidários do passado. Apesar disso, em
respeito ao nosso atual regime de governo, onde os mandatários da pátria são
escolhidos através do voto obrigatório de cada um de nós, acho precipitado
afastar uma presidente apenas por não concordarmos com as suas visões e
inspirações políticas. Não é dela a culpa exclusiva pela roubalheira que
praticamente secou os cofres públicos, empobrecendo a nação e prejudicando a
manutenção de serviços básicos e investimentos à população. Até onde entendo,
somente acusações concretas de corrupção ou improbidade administrativa podem,
legalmente, afastarem um governante do seu cargo antes do final de mandato. Não
creio que seja este o caso.
Da
mesma forma, a insinuação de golpe militar é á meu ver, infundada e, queira
Deus, não ultrapasse o limite de mera especulação. Nasci em 73, portanto,
acompanhei, ainda criança, apenas o desfecho do último golpe no país, no
entanto, influenciado principalmente pela ótica da classe artística daquela
época, não possuo românticas recordações desse período. Intimidações, exílios,
arbitrariedades, torturas, queimas de arquivos e generais colocando-se acima da
lei. Trará isso, por acaso, solução para a atual crise que, antes de tudo,
trata-se de uma crise de valores?
Admito, um argumento bastante convincente dos pró-militares refere-se à suposta
segurança que gozava-se nas ruas durante o golpe, com índices de criminalidade
aparentemente baixos e sob controle. Tudo bem, então que se pegue esse bom
exemplo como um parâmetro para a formação de guardas e combatentes plenamente
identificados com a missão de proteger a pátria dos inimigos internos e externos,
sem que para isso necessitemos rasgar a Constituição Federal e perdermos,
provavelmente alguns avanços sociais conquistados através de árduos debates.
Respeito, sim, os militares e sei da importância que têm. Apenas defendo que
permaneçam em seus postos de atuação e não assumam responsabilidades que
certamente sobrecarregarão as suas corporações. Ou alguém acreditará cegamente
que não existam capitães assassinos, tenentes corruptos e sargentos mentirosos?
NÃO.
Definitivamente NÃO. A solução para os nossos problemas não está no
totalitarismo que elimina á força os pensadores contrários ao regime.
Humildemente, sem a ambição de ser o Doutor Verdade que vai apontar a solução
definitiva para pôr o Brasil nos trilhos da ordem e progresso almejados,
sugiro, isso sim, duas atitudes fundamentais para revertermos a médio e longo
prazo essa bagunça toda. Uma delas, a que trará retorno mais imediato, é a
participação de cada um de nós na função de fiscalizar os atos do governo e
suas câmaras legislativas. Isso faz-se possível apenas quando pesquisamos e
tentamos entender as leis que regem a administração pública. Chega dessa
história dos vereadores, deputados e senadores “defenderem os nossos direitos”.
Temos que encarar isso como tarefa fundamentalmente nossa. Já a outra ação, que
talvez leve um pouco mais de tempo para frutificar, é a educação dos nossos
filhos e filhas com princípios sólidos, livres da mentalidade exploratória que
rege as relações do homem entre si, com os animais e o meio-ambiente.
Acredito firmemente que a solução será
encontrada pela próxima geração, que encontrará, em consenso, um novo caminho
para administrar o país. Felizmente, Deus começou a enviar, como chuva de
bênçãos sobre nossas cabeças, crianças iluminadas que representam a
transformação e transição para algo melhor. O momento presente exige paciência
perseverança e planejamento. Tenho fé no futuro e conclamo todos a terem
cautela para não meterem os pés pelas mãos, aceitando falsos salvadores da
pátria.
Cesar
Cesar
quarta-feira, 16 de setembro de 2015
Preso nas palavras
Tão
difícil quanto sentir,
é transmitir
o que se sente
Com tantas
palavras a mais,
às vezes não
entendem a gente.
Com tantos
verbos passados,
e pontos para
finais errados.
Difícil é
transmitir,
sem cair em
vulgaridade,
dizendo a
própria vontade,
criando
versos com vaidade.
Vaidades de
um dicionário,
doutor do ABCdário,
carrasco do
imaginário.
É a minha
comunicação,
cheia de
limitação.
Pensamento
tão bonito,
fica estranho
e sem sentido.
Soa até mesmo
parecido,
com tudo que
já foi dito.
Tropeçando em
palavras ,
numa imitação
barata.
numa
combinação chata,
Que o Doutor
não quer nem ler.
Cesar
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