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domingo, 3 de fevereiro de 2019

Orixá do Mar


Iemanjá é um orixá feminino (divindade africana) das religiões Candomblé e Umbanda. O seu nome tem origem nos termos do idioma Yorubá “Yèyé omo ejá”, que significam “Mãe cujos filhos são como peixes”.
Mãe-d'água dos Iorubatanos no Daomé, de orixá fluvial africano passou a marítimo no Norte do Brasil.
No Brasil, a deusa Iemanjá recebe diferentes nomes, dentre eles: Dandalunda, Inaé, Ísis, Janaína, Marabô, Maria, Mucunã, Princesa de Aiocá, Princesa do Mar, Rainha do Mar, Sereia do Mar, etc.
Iemanjá é a padroeira dos pescadores. É ela quem decide o destino de todos aqueles que entram no mar. Também é considerada como a “Afrodite brasileira”, a deusa do amor a quem recorrem os apaixonados em casos de desafetos amorosos.
No dia 2 de fevereiro acontece em Salvador, capital do Estado da Bahia, a maior festa popular dedicada a Iemanjá. Neste dia, milhares de pessoas trajadas de branco fazem uma procissão até ao templo de Iemanjá, localizado na praia do Rio Vermelho, onde deixam os presentes que vão encher os barcos que os levam para o mar.
No Rio de Janeiro as festas em honra de Iemanjá estão relacionadas com a passagem de ano.
Nos candomblés fiéis às origens africanas, o culto é prestado em locais fechados, nos atuais o culto é ao ar livre, prestado no mar e nas lagoas, sendo Iemanjá muitas vezes representada como sereia.
Os devotos levam para o mar vários presentes que são tidos como recusados quando não afundam ou quando são devolvidos à praia.
Dentre as diversas oferendas para a bela e vaidosa deusa, encontram-se flores, bijuterias, vidros de perfumes, sabonetes, espelhos e comidas. O ritual se repete em outras praias do Brasil.
As celebrações em homenagem a Iemanjá também acontecem em 15 de agosto, 8 de dezembro e 31 de dezembro.

Fonte: www.significados.com.br

sábado, 19 de janeiro de 2019

Impactos do agronegócio no Brasil



         Os números que indicam o crescimento do agronegócio no Brasil são muito animadores em uma perspectiva meramente econômica. Contudo, em uma perspectiva ambiental, esse avanço gera preocupação em virtude dos diversos impactos ambientais causados pela superexploração do meio ambiente. Na busca pelo desenvolvimento e lucro imediato, muitas empresas desrespeitam as legislações ambientais e exploram o meio ambiente sem se importar com as consequências dessa exploração, causando diversos problemas ambientais no espaço agrário. Entre esses problemas, destacam-se:
  • O Desmatamento é a primeira consequência da atividade agropecuária no Brasil. Desde o início da colonização, grande parte das áreas de vegetação nativa do litoral, região Sul e Centro-Oeste do Brasil foi desmatada para abrir espaço para áreas de pastagem e cultivo. Em virtude desse crescente desmatamento, o Cerrado e a Mata Atlântica já foram introduzidos na lista mundial de biomas com grande diversidade que estão ameaçados de extinção (os chamados Hotspots), existindo ainda a previsão do desaparecimento do Pantanal e da Amazônia nos próximos anos caso sejam mantidos os mesmos índices de desmatamento nesses biomas.
  • Perda da biodiversidade: Com o desmatamento, muitas espécies da fauna e da flora entram em extinção, pois não conseguem garantir a sua sobrevivência nas pequenas reservas que restam de seu ecossistema.
  • Degradação do solo: O desenvolvimento extensivo da agricultura tem causado a degradação do solo, que acaba se tornando improdutivo ao longo do tempo, gerando não só problemas ambientais, mas também problemas econômicos para aqueles que o degradaram. As técnicas de cultivo inadequadas, o uso intensivo de máquinas e a não rotatividade das culturas produzidas no solo podem ocasionar o esgotamento dos nutrientes, compactação, erosão e aceleração da desertificação. Na pecuária, o pisoteamento contínuo do gado pode compactar o solo e favorecer o desenvolvimento de processos erosivos.
                                                       
                


        Fonte: brasilescola.uol.com.br

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

França abre caminho para devolver arte saqueada


A restituição de artefatos trazidos por potências coloniais da África para a Europa é tema de debate internacional. Relatório encomendado por Macron pode inaugurar novo capítulo na história da devolução de arte saqueada.Um relatório apresentado no final do ano passado,  recomenda a alteração das leis da França, permitindo que tesouros culturais levados da África durante o período colonial sejam devolvidos a seus países de origem. A atual legislação proíbe estritamente que o governo ceda qualquer propriedade estatal, mesmo em casos bem documentados de saque.
Num discurso em Burkina Faso, em novembro de 2017, o presidente Emmanuel Macron despertara esperanças de uma mudança dessa política radical: "O patrimônio africano não pode estar unicamente nas coleções privadas e nos museus europeus", declarou. Em seguida, o chefe de Estado encarregou a historiadora de arte francesa Bénédicte Savoy e o autor senegalês Felwine Sarr de tirarem conclusões sobre a questão.
Em seu relatório, os especialistas recomendam que se possibilite a restituição no caso de serem fechados acordos entre Paris e os respectivos Estados africanos. A mudança se aplicaria, em especial, a obras mantidas em museus e que foram "transferidas de seu território original durante o período colonial francês".

Controvérsia de longa data

Dos 90 mil objetos de arte da África subsaariana que Savoy e Sarr estimam encontrar-se em museus franceses, 70 mil estão no Quai Branly, em Paris, criado pelo ex-presidente Jacques Chirac, um entusiasta da arte africana e asiática. Alguns dos artefatos foram comprados, permutados ou, por vezes, simplesmente roubados por soldados, exploradores e outros, durante o período colonial.
A controvérsia sobre a propriedade de obras de arte não é nova. Uma convenção da Unesco contra a exportação ilícita de bens culturais, adotada em 1970, defendia a devolução de propriedade cultural retirada de um país, mas não se referia a casos históricos, como os da era colonial.
Devido ao temor de os museus serem forçados a se desfazer de seus acervos, as antigas potências coloniais têm sido lentas em ratificar a convenção: a França o fez em 1997, o Reino Unido, em 2002, a Alemanha, em 2007, a Bélgica, apenas em 2009.
A questão voltou a ganhar evidência em 2016, quando o presidente Patrice Talon, do Benim, exigiu que a França restituísse itens como entalhes, cetros e portas sagradas dos palácios de Abomei, capital do antigo Reino do Daomé. A França se recusou, aludindo a sua legislação.
Macron mostrou ser mais compreensivo com a causa africana. No entanto, a restituição não ocorrerá automaticamente: para iniciá-la, os países africanos devem apresentar um requerimento às autoridades francesas, baseado em listas de inventário.

Polêmica à vista na Alemanha

Enquanto personalidades africanas aplaudem o relatório, curadores e marchands europeus expressaram descontentamento com a perspectiva, argumentando que ela acabaria por esvaziar museus e galerias de países ocidentais. Eles enfatizam que grande parte dos objetos provém de reinos não mais existentes, e que em muitos casos os proprietários podem afirmar terem-nos obtido de forma legítima.
Os críticos igualmente alegam que a medida poderia levar colecionadores particulares da França a retirarem suas obras do país por medo de vê-las confiscadas. Outros levantaram preocupações práticas, como a possibilidade de os artefatos serem roubados ou mal curados por museus inexperientes, em Estados politicamente instáveis.
Outros países europeus também têm examinado criticamente suas coleções de artefatos culturais africanos. Em setembro de 2017, a ministra alemã da Cultura, Monika Gruetters, sugeriu adotar para a África um modelo semelhante ao do Centro Alemão de Propriedade Cultural Perdida, que procura os proprietários de arte saqueada pelo nazistas, a fim de devolvê-la.
O domínio colonial da Alemanha no continente africano durou de 1884 até o fim da Primeira Guerra Mundial e incluiu países como Camarões e a Namíbia. Esse debate poderá se reacender no país em 2019, quando será inaugurado em Berlim o Fórum Humboldt, um grande museu etnológico cujo acervo inclui peças de antigas colônias alemãs.

Fonte: www. terra.com.br

terça-feira, 1 de janeiro de 2019

A arte no continente africano


       

        Quando os europeus, grandes conhecedores da arte naquela época, viram os trabalhos artísticos feitos pelos africanos, os primeiros habitantes do planeta (segundo a própria Arqueologia), eles entenderam que o conhecimento que tinham, na verdade, não podia ser comparado aquelas obras reproduzidas com habilidade, por mãos de homens e mulheres nativos de um continente tão distante.
          O africano pode ser considerado uma soma de riquezas vindas diretamente da natureza e sua manifestação artística era uma reprodução do que eles enxergavam, suas visões sobre o mundo. Afirmo, no entanto, que o africano é semelhante a uma jóia rara que foi ricamente lapidada.
          Para a surpresa de outras civilizações, os africanos já sabiam, há séculos, entalhar em madeira, esculpir e pintar telas. Os Yorùbás e os Hauças, por exemplo, ficaram conhecidos por serem grandes artesãos e tintureiros. Suas obras, que retratavam a ligação que tinham com as divindades, estão permanentemente expostas em museus da França. Vale dizer que até o final do século XVIII a produção artística oriunda da África foi excluída da história da arte ocidental. Somente á partir do século XIX  a Europa veio a reconhecer o valor das manifestações criativas e habilidades destes povos ainda desconhecidos com quem começavam a ter os primeiros contatos.
          Os primeiros estudos e referências sobre a produção artística no continente africano começaram com Leo Frobenius, nos anos 30. Seus relatos reconheciam a existência de uma exuberante civilização, contrapondo-se a visão europeia daquela época, que afirmava ser a África um continente de bárbaros. Os europeus só sabiam daquele pedaço de chão e seus habitantes, aquilo que lhes interessava, pelo ângulo do comércio de escravos. Os saberes históricos, antropológicos e etnológicos falseavam as perspectivas em favor de uma concepção eurocêntrica (Europa como centro do mundo), elaborada na época auge da hegemonia europeia. Essa concepção foi introduzida nas colônias através dos sistemas educacionais implantados pelos colonialistas.
          No início do século XX os historiadores da arte, etnólogos e especialistas em estética começaram a se interessar pela arte negra. Foi apenas a partir dessa década que surgiu então uma outra reflexão deles sobre a arte africana. Respeitada finalmente, a produção artística deles foi submetidas ás leis gerais da economia: oferta e procura. Os salões e exposições de arte, é fato, buscam equilibrar esses dois elementos.
             Surgiu no referido período, um novo modismo, inspirado no interesse pela arte negra. Muitos artistas europeus, na verdade, já conheciam o que era feito na África antes mesmo das obras chegarem a famosos espaços como galerias de arte em Paris e Londres. Máscaras da Costa do Marfim, estatuetas do Benin e figuras esculpidas em marfim chamaram a atenção de artistas como Maurice de Vlamink, Henri Matisse, Pablo Picasso e André Derain. O encontro da arte européia com a africana, esse intercâmbio, gerou um enriquecimento ainda maior na produção feita por lá, no outro lado do oceano. Mesmo assim, é importante afirmar que nunca foi necessário o africano receber influência ou instrução de outro povo para lapidar aquilo que criava. Algo que acabou despertando atenção para essa realidade foi a descoberta e crescente interesse por jazidas de metais preciosos, é claro, motivado por interesses econômicos, atividade essa principalmente dos ingleses. Tudo para eles girava em torno de especulação e lucro.

           No ano de 1897 foram tiradas da África obras fundidas em bronze, encontradas em Benin. Foram levadas pelo ingleses à Europa e nunca mais foram devolvidas aos seus criadores. Inúmeras observações absurdas foram feitas, entre estas, que os africanos aprenderam o que sabiam com os colonizadores e que estes teriam ensinado a manusear o ouro e o ferro. Disseram também que toda a arte feita na África era oriunda da India. Outra vertente dizia que fora transmitida por árabes e que eles passaram a técnica para os negros. Os europeus não conseguiram aceitar que aquelas pessoas de pele escura nasciam já religiosos, eram a primeira raça a habitar na Terra e que nos primórdios, suas obras eram talhadas como representação das suas divindades. É um absurdo dizer e defender a idéia de que os africanos tiveram que aguardar a chegada dos europeus em seus territórios para aprenderem a confeccionar tambores com técnicas melhores, não mais de maneira rudimentar, como já faziam.
           Os achados de Ifé e de Nok, civilizações que floresceram há muitos séculos antes do desembarque dos europeus, comprovaram a grandeza e a originalidade da produção artística feita por lá, bem como o alto nível cultural que tinham.  Esculturas bambara ou bonecas da fertilidade (tyi-wara), Senufo ou bancos, assentos, imagens totênicas, degon, ou figuras antropomórficas dos ancestrais, todas haviam sido feitas por povos que viviam na costa ou na selva atlântica. Bigajós, também figuras de ancestrais, vaca bruta, representações de crianças, adultos e idosos, barcos e pinturas murais na parede das habitações, figuras ligadas a fertilidade na terra Kyssy, estatuetas de pedra, tudo isso veio do Golfo da Guiné. Os baulés (esculturas negras, agni cerâmica, assentos e bancos sacralizados) os Ashantis (máscaras em ouro e figuras ancestrais),  e Yorùbá (tecelagem), pesos em ouro e peças em marfim, confeccionadas por grupos que viviam na região da floresta ocidental do Congo, de Angola, Gabão e Camarões (povo Banto). Falo ainda de outras peças como o há bambum (troncos cobertos de pérolas e conchas), Dualas, canoas e cachimbos), Fang (cabeças bustos e figuras ancestrais), Bakota (objetos para rituais funerários), Bakudas (figuras reais), cilindros de adivinhação e peças em relevo, tudo isso produzido nas regiões sul e oriental africanas, expressões do grupo étnico conhecido como maconde, do Moçambique.
           Aos interessados, as obras e esculturas aqui listadas estão em exposição permanente nos Museu do Homem, em Paris, França.




Fonte: Texto de Gercy Ribeiro, o mestre  Cica de Òyó, no livro "Negras Palavras Gaúchas" edição 2013- Editora Evangraf.




domingo, 16 de dezembro de 2018

Cátaros- Parte II


O catarismo também baseou seus fundamentos no Sermão da Montanha, um longo discurso proferido por Jesus, no qual o próprio Cristo ensinou aos seus seguidores lições de conduta e de moral, ditando os princípios que normatizam e orientam a vida cristã, aquela que conduzirá o homem à sua verdadeira liberdade. O Sermão da Montanha é considerado pelos estudiosos da religião cristã um resumo dos ensinamentos de Jesus a respeito do Reino de Deus, de como o homem pode ter acesso a ele e qual será a sua transformação quando chegar lá.

De acordo com a doutrina cátara, Cristo não foi um mensageiro de Deus que veio para ensinar o caminho da salvação. Sua morte não significa a redenção, como prega a Igreja Romana, mas representa a vitória do mal que jamais poderia ser vencido pela crucificação de Cristo. O sofrimento e a morte de Cristo serviram para alimentar ainda mais as forças das trevas. Eles também não acreditavam na cruz nem na eucaristia. A salvação, segundo eles, só era alcançada por quem seguisse ao pé da letra os preceitos do Sermão da Montanha, pois a Igreja Católica Romana era, sim, um reduto de anticristos.
Vida pura e casta
Eles abdicavam de suas posses materiais e procuravam levar uma vida pura, afastando-se o quanto podiam do mundo material, o qual consideravam corrupto. Seus padres se vestiam com hábitos negros e rejeitavam os sacramentos, como o batismo, a eucaristia e o matrimônio. E não se incomodavam com o sexo fora do casamento. “A castidade devia ser priorizada, mas se não fosse possível mantê-la, melhor seria manter encontros casuais do que oficializar o mal por meio do casamento, um sacramento não aceito por eles”, escreve a historiadora Maria Nazareth de Barros, autora de Deus Reconhecerá os Seus: A História Secreta dos Cátaros.

Em consequência dos seus princípios de pureza e castidade, os cátaros também repudiavam a maternidade. Qualquer mãe, frente à impossibilidade de gerar entes espirituais e perfeitos, ao dar origem apenas a humanos imperfeitos, estaria produzindo ainda mais matéria impura e fonte do mal.
 Entretanto, apesar de o casamento e a procriação fossem tidos como obras maléficas eram também considerados, ao mesmo tempo, uma benção, pois evitava uma degeneração maior entre seus seguidores por dois motivos. Primeiro porque, segundo a lei bíblica, é melhor casar do que abrasar. Depois, como eles acreditavam na reencarnação, o nascimento era visto pela doutrina cátara como uma possibilidade de resgate pelas imperfeições geradas em outras vidas.






A salvação para o catarismo era a libertação da alma de seu corpo material impuro. Por isso, os cátaros viam com bons olhos o suicídio. De acordo com Nachman Falbel, professor titular de História Medieval da USP, além do suicídio por envenenamento ou salto em um precipício, ou ainda a pneumonia voluntariamente contraída, era comum procurar a morte pela fome.

Eram considerados bons homens depois de receberem o consolamentum, um ritual que simbolicamente representava sua morte para o mundo material e corrupto. Os que eram apenas simpatizantes da doutrina, mas que não tinham nenhum compromisso formal com o movimento, só recebiam o consolamentum nos momentos que antecediam sua morte.
 Os altos sacerdotes cátaros eram denominados perfeitos. Eles andavam sempre em dupla, pregando entre o povo o Amor universal e ajudando a população carente. Por todos esses ensinamentos e diferenças entre o pensamento cátaro e o catolicismo oficial, a Igreja Romana via cada vez mais a nova doutrina como uma perigosa heresia a ser debelada.


   Cruzada Albigense       

Mas não apenas por causa da doutrina herética que a Igreja Católica queria fazer desaparecer os cátaros da face da Terra. Por trás, existia também o interesse econômico da Igreja, na medida em que os dízimos de inúmeras paróquias, principalmente as do Languedoc, não chegavam mais a Roma.


No século 12, o papado tentou segurar o movimento, promovendo a reconversão de seus antigos fiéis, perdidos para o catarismo. Não resolveu. A Igreja, então, endureceu quando o papa Inocêncio III assumiu em 1198 e suspendeu os direitos eclesiásticos de diversos bispos do sul da França.

Em 1208, o representante da Igreja Pierre de Castelnau excomungou um nobre e, em represália, foi assassinado. O conde de Toulouse, Raimundo VI, foi o acusado de ser mandante do assassinato. O acontecimento acirrou os ânimos dos católicos que passaram a usar a violência para acabar com os seguidores da nova doutrina.

Inocêncio III tentou conter o abuso de seus fiéis escrevendo bulas e reduzindo o luxo do Vaticano, severamente criticado pelos antigos católicos convertidos ao catarismo. Para angariar aliados, apoiou a fundação de ordens mendicantes, como a dos franciscanos (de São Francisco de Assis) e os dominicanos (de São Domingos de Gusmão).





 Ainda por cima, Inocêncio III autorizou uma Cruzada, comanda pelo rei da França, Felipe II que, com outros nobres de Toulouse, iniciaram a carnificina que durou de 1209 a 1244. Na primeira fase da Cruzada, em julho de 1209, um exército de cerca de 30 mil homens, incluindo cavaleiros e infantes, desceu do norte da Europa para o Languedoc. No primeiro cerco em Béziers, que durou dois meses, os cruzados invadiram a cidade e aniquilaram quase toda a população, deixando para trás 20 mil mortos, entre eles muitas mulheres e crianças, sem se importarem se eram cátaros ou católicos. Quando um oficial perguntou ao representante do papa, o Abade Arnaldo Amauri, como ele conseguiria distinguir os hereges dos crentes verdadeiros, a resposta foi: “Matem-nos todos. Deus reconhecerá os seus.”


Na guerra que se seguiu, todo o território foi pilhado, as colheitas destruídas, as cidades e vilarejos arrasados. O extermínio ocorreu numa extensão tão vasta que alguns historiadores consideram esse caso como o primeiro genocídio da história da Europa moderna.

Diante da fúria dos cruzados, uma a uma, as cidades de Languedoc foram caindo em poder dos franceses do norte e da Igreja sob a alegação de serem focos de atuação de cátaros. Carcassonne, depois de duas semanas sitiada, foi destinada a Simão de Montfort, o novo chefe militar da guerra santa. Na verdade, nos anos seguintes, a cruzada se transformou em um alto negócio para o nobre. Mais do que aniquilar os cátaros, seu alvo eram as terras e as joias da nobreza do Languedoc, não importa se apoiassem ou não os hereges.
As duas últimas fases
Em 1224, com o apoio do papa Honório III (Inocêncio III faleceu em 1216), começou a segunda fase da Cruzada Albigense quando o então rei da França, Luís VIII, liderando os barões do norte francês, empreendeu uma nova investida que durou cerca de três anos com muitas conquistas até chegar a Avignon, onde terminou o cerco contra os hereges.

Apesar de terem o apoio de pequenos condados, os cátaros não conseguiram resistir ao genocídio das Cruzadas, mas elas não conseguiram erradicar o catarismo de forma definitiva. Foi a Inquisição, a instituição que realmente conseguiu exterminar definitivamente o catarismo. Quarta-feira, 16 de março de 1244, aos pés de um penhasco da região de Ariège (Midi-Pyrenees), nos Pirineus franceses, 225 homens e mulheres cátaros foram queimados em uma grande fogueira nos arredores da fortaleza de Montségur. Entrincheirados a 1.200 metros de altitude, os seguidores do catarismo foram capturados após dez meses de cerco, tinham-se recusado a abjurar a sua fé.

Adaptado do texto “Os bons e os puros”
Revista Leituras da História Ed. 57

domingo, 9 de dezembro de 2018

Cátaros, os homens bons- Parte I

Quem visita a região de Languedoc-Roussilon, no sul da França, não se cansa de admirar a paisagem cercada de rochas e videiras, as mais antigas da Europa, que orgulha seus habitantes. Incrustadas na estrada sinuosa que corta a região, o viajante encontrará ruínas de castelos em Cobiéres e Ariége que, entre os séculos 11 e 12, serviram de refúgio ao povo cátaro.

Em cidadezinhas como Montaillou, Arques, Peyrepertuse, Quéribus, Aguilar e Minerve, os moradores do Languedoc também não escondem sua admiração pela cultura cátara. Esse orgulho é visível nas pequenas livrarias com uma infinidade de livros sobre o modo de vida e a doutrina daqueles que se autodenominavam “os bons homens” e “as boas mulheres”, fundadores de um cristianismo alternativo que, entre outras coisas, não admitia se submeter à soberania papal e também não aceitava os dogmas da Igreja Católica, como a crença na Santíssima Trindade, por exemplo.

Nas palavras da Igreja Romana do século 12, o catarismo não passava de um movimento herético por não acolher qualquer tipo de domínio religioso ou político, da Santa Madre Igreja. Esta, em contrapartida, não tolerava qualquer interpretação espiritual que não seguisse à risca as instruções vindas de Roma. Por tudo isso, a luta contra os cátaros durou quase oito décadas (de 1167 a 1244), até que sua doutrina deixasse de ser uma ameaça ao poderio da Igreja Católica Apostólica Romana.

O início do movimento
Os cátaros formaram a sociedade secreta mais popular da Idade Média. Os adeptos do movimento eram pacíficos e muito estimados pela população do Languedoc, tendo muitos nobres entre seus seguidores. E não foi à toa que a doutrina cátara foi bem aceita na região. Na Idade Média, a próspera Languedoc era um centro de diversidade cultural onde conviviam em paz normandos, catalães, judeus e sicilianos. Exercido por cidadãos livres que abasteciam os feudos com seus produtos agrícolas, ferramentas, armas e um sem-número de manufaturados, a força do comércio na região também limitava os poderes da nobreza intimamente ligada ao clero.
O início do catarismo é impreciso. Alguns historiadores acreditam que o movimento religioso nasceu em Constantinopla e foi trazido para a Europa Ocidental depois da 2ª Cruzada, por volta de 1147 e 1149. Outros pesquisadores sugerem que as primeiras ideias de um movimento religioso (que ainda não tinha um nome oficial) começaram antes, por volta de 1022, quando dois monges foram injustamente queimados vivos, acusados de satanismo.

O bispo de Toulouse, a maior cidade de Languedoc, foi contra a execução. Mas o que a autoridade eclesiástica escondia dos poderosos da Igreja é que ele se reunia secretamente com outros clérigos para discutir suas ideias pouco ortodoxas e as insatisfações com o catolicismo praticado na época. O grupo acreditava, por exemplo, que Deus era um espírito puro e que a criação do mundo não tinha nada de divino, mas era, sim, o resultado de uma obra perversa, criada pelas forças do mal.

As ideias dos primeiros cátaros que aspiravam a volta do cristianismo primitivo começaram a se espalhar pela Europa. A nova crença arregimentou adeptos na Catalunha (Espanha), na Alemanha, na Inglaterra e na Itália. Seguidores da doutrina cátara recebiam diferentes nomes de acordo com seu país de origem. Dessa maneira, na Itália, eram conhecidos como patarinos, na Alemanha, como ketzers, na Bulgária, como bogomils. Porém, foi na região do Languedoc que os cátaros floresceram e viveram em paz por várias décadas.
 O movimento, entretanto, levou mais de 150 anos para se afastar definitivamente da Igreja oficial. No século 12, mais precisamente em 1167, cátaros franceses se reuniram em uma assembleia no Castelo de Saint-Félix de Caraman, para oficializar o abandono do credo católico em quatro paróquias da região do Languedoc, Toulouse, Carcassone, Albi e Agen, abraçando as novas diretrizes do catarismo. Por causa das paróquias de Albi e Agen, o movimento também foi chamado de albigense. Nessa mesma assembleia, foram nomeados os bispos de cada região e fixados os limites de cada diocese.

Segundo uma das versões históricas, o termo cátaro viria do grego katharoi, que significa “os puros”. Mas a palavra entrou para o vocabulário medieval por volta de 1160, graças a um pregador católico da Renânia chamado Eckbert de Schönau que abominava a nova doutrina. Segundo Alain de Lille, um teólogo francês do século 13, sua origem estaria na palavra catus (“gato” em latim), pois os seguidores da seita, de acordo com Eckbert de Schönau, “faziam coisas ignóbeis em suas reuniões, como beijar o traseiro de gatos”.

A luta do bem contra o mal
Os novos fiéis não davam a mínima atenção para as palavras de Eckbert e continuaram em frente, espalhando sua doutrina e conquistando adeptos. O catarismo foi uma religião influenciada pelo maniqueísmo, doutrina filosófica, fundada pelo profeta persa Mani. O princípio básico da filosofia maniqueísta é a divisão do mundo entre Bom (ou Deus) e o Mal (ou Diabo). Dessa forma, toda matéria é intrinsecamente má e tudo o que é espiritual “nasce” naturalmente bom.
 Conforme as ideias do profeta, a fusão dos dois elementos primordiais, os reinos da luz e das trevas, teriam originado o mundo material. Por sua vez, os cátaros, seguidores do princípio da dualidade, também acreditavam que a criação do mundo e do ser humano era obra do Diabo e que a salvação estava em encontrar o reino da luz.

Fonte: leiturasdahistoria.com.br
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domingo, 2 de dezembro de 2018

A infância de Jesus


Quem um dia recorreu à Bíblia para conhecer melhor a história de Jesus, o homem que deu origem ao cristianismo, certamente terá notado a falta de informações a respeito da infância do filho de Deus. Dos quatro evangelhos que contam o surgimento do chamado Messias, somente dois – os de Mateus e Lucas – trazem episódios da primeira fase de sua biografia. As menções são escassas e frustram quem gostaria de saber mais da vida do menino. Mas agora estão se tornando populares certas narrativas que descrevem momentos reveladores da relação do jovem Jesus com sua família e com as outras crianças. De acordo com esses textos, ele foi um garoto consciente de seu poder divino e fazia milagres desde pequeno. Ainda assim, não deixou de cometer travessuras que lhe valeram reprimendas da mãe, Maria. Inteligente ao extremo, chegava a desafiar seus mestres. Um professor, Zaqueu, teria procurado José para se queixar de Jesus, que recebera para aulas quando este tinha cinco anos. “Ai de mim, não sei o que fazer. (…) Não posso suportar a agudeza de seu olhar, nem chego a entender suas explanações. (…) Queria um aluno e encontrei um mestre. (…) José, leve-o para casa.”
Apesar de não receberem a chancela do Vaticano, relatos como esses, produzidos entre os séculos I e III, têm sido analisados por teólogos, historiadores e até mesmo por religiosos católicos. São os evangelhos apócrifos ou pseudoevangelhos, elaborados como complemento dos textos bíblicos. O termo apócrifo é empregado para designar relatos cuja autenticidade não é reconhecida pelo Vaticano. Ao todo, são 60, de diversas autorias. Citações sobre os primeiros anos do filho de Deus estão em alguns desses textos, entre eles o evangelho chamado de Armênio da infância e nos livros atribuídos a Tiago e Tomé, dois apóstolos de Cristo. Tomé detalha fatos ligados propriamente à infância, enquanto Tiago (tido como irmão de Jesus em narrativas não-oficiais) aborda mais a vida da família nos primeiros anos do futuro Salvador. Durante muito tempo, relatos desse gênero ficaram relegados a segundo plano, conhecidos basicamente apenas por quem se dedicava a estudar religião. Essas histórias, no entanto, começam a se espalhar inclusive entre os não-católicos, principalmente por ação de escritores que enxergam na força do mito Jesus um belo caminho rumo ao estrelato. Que o diga Dan Brown, o autor de O código Da Vinci.
Uma das novidades nesse sentido é o livro Cristo Senhor, da americana Anne Rice,  autora do best seller Entrevista com o vampiro  que acabou gerando um filme. Anne nasceu em família católica, mas abandonou a religião aos 18 anos. E só a retomou em 1998, quando se recuperou de um coma provocado pela diabete. Em 2002, mergulhou nos textos apócrifos para elaborar a sua versão do menino Jesus. Em Cristo Senhor, que ficou três meses na lista dos mais vendidos do jornal The New York Times, o narrador é o filho de Maria, com a idade de sete anos. É uma ficção reforçada pelos textos não sacramentados pela Igreja. Ela assegura, porém, ter se disciplinado para não contradizer o que está na Bíblia. “Há bastante informação para que possamos imaginar como pode ter sido a vida de toda a família”, disse a ISTOÉ. E completa: “Coloquei na minha cabeça que faria uma história muito realista, absolutamente conectada com as escrituras. Usei o que pude.”
VIDA A PÁSSAROS DE BARRO
Pode ser, mas um dos episódios que abrem o livro é um milagre narrado por Tomé. Trecho que demonstra o aspecto divino de Cristo na infância. Naquele período, Jesus, claro, não era considerado o Messias. Seus feitos, no entanto, não passavam despercebidos. Por isso, as crianças o temiam e seus pais proibiam os filhos de brincar com ele. Segundo a narrativa de Tomé, Jesus estava com sete anos quando um menino caiu do telhado de uma casa e morreu. Imediatamente, seus pais o apontaram como responsável pela morte. Diante da acusação, Jesus chamou com voz forte o garoto de volta à vida para que contasse que não era ele o culpado. No livro de Anne Rice, Jesus se inclina sobre o menino e diz: “Acorda, Eleazar. Desperta agora.” O filho de Maria também faz viver passarinhos de barro. No evangelho apócrifo intitulado Infância do Salvador, ele os pega na mão e ordena: “Ide.” E os passarinhos saem voando e gorjeando.
Diversos relatos ressaltam o lado generoso, curativo e benevolente do jovem Jesus. Entretanto outros episódios contidos nos textos sugerem que ele era sapeca. Em um final de tarde, brincava com um grupo de crianças em seu quarto. Segundo o evangelho Armênio da infância, um raio de sol entrou pela janela. Gaiato, perguntou aos colegas se eles conseguiriam subir pelo raio. Os meninos nem se aventuraram. Jesus subiu. Uma travessura é aceitável. Mas como as narrativas apócrifas salientam, ele não era um menino comum. Também no escrito de Tomé, revela-se um lado negativo de seu poder. Com a desistência de Zaqueu em tomar o pequeno como aluno, José procurou um novo mestre para o filho. Encontrou um homem que, apesar de conhecer a fama do esperto Jesus, aceitou o convite. O garoto o desafiou logo na segunda aula. Posto à prova em seus conhecimentos, o professor se enraiveceu e bateu na cabeça de Jesus. Sentindo dor, ele o amaldiçoou e o mestre caiu por terra, sem sentidos.
MILAGRES MAIS SÉRIOS
Não há como negar que passagens como essas soam fantasiosas demais. Para alguns teólogos são episódios que mais se assemelham a histórias de super-heróis. Mas os textos não oficiais, afinal, podem ser levados em conta? Sim, responde o frei Jacir de Freitas Farias, um franciscano de Belo Horizonte que estuda esses escritos. Desde que sejam tomados certos cuidados. Primeiro, explica ele, é preciso distinguir os tipos de relatos. Em sua opinião, os textos podem ser divididos em três categorias: os complementares (que trariam acréscimos às narrativas bíblicas, caso dos relativos a Maria), os alternativos (com episódios não aceitos pelo Vaticano, entre eles, os que colocam Maria Madalena como líder feminista) e os aberrantes. Nessa última classificação estão os livros que tratam do Jesus menino. Segundo o frei, eles exageram na explicação para mostrar o poder do filho de Deus. Por outro lado, representam o pensamento popular do período. “Os evangelhos canônicos não têm preocupação em mostrar a infância. E a humanidade ficou curiosa a esse respeito”, diz. Essa curiosidade perdura até hoje. Para atendê-la, frei Jacir, autor de quatro livros sobre os evangelhos não reconhecidos pela Igreja, está preparando material para o próximo título, A infância de Jesus nos apócrifos.



O teólogo Jorge Cláudio Ribeiro, de São Paulo, concorda com frei Jacir. Ainda que fantasiosas, as narrativas revelam um anseio que as pessoas têm de ver o divino de outra forma. “Os milagres eram mais sérios do que puro exibicionismo. Havia sempre algum ensinamento que Jesus queria enfatizar. O milagre é, sobretudo, uma relação – e não uma exibição”, sustenta. De qualquer modo, os evangelhos apócrifos merecem ser analisados por quem quiser se aprofundar nos estudos religiosos. “Esses textos têm valor documental para avaliar como se via o cristianismo. Eles seriam elaborações de grupos cristãos, alguns ligados à Gnose, uma vertente do pensamento herético”, afirma Francisco Moreno de Carvalho, historiador com especialização na disciplina pensamento judaico na Universidade Hebraica de Jerusalém. Outro especialista, o americano John Dominic Crossan, professor emérito da De- Paul University (EUA) e uma das maiores autoridades em ciências da religião, sustenta que os estudiosos devem ter olhos para os evangelhos canônicos e não-canônicos, analisando as relações entre eles. “A tradição mais antiga não é, em si, mais original ou autêntica do que os relatos mais recentes. O mais antigo é apenas o mais antigo”, declara.
Um ponto em comum entre os textos bíblicos e os apócrifos é a famosa passagem de Jesus pelo templo de Jerusalém, aos 12 anos. Naquele tempo, os judeus costumavam rumar para Jerusalém na Páscoa. No evangelho de Lucas, a família regressava para casa quando se nota a ausência de Jesus. A caravana de José retorna à cidade e o jovem é encontrado no templo, conversando com os sábios. Como toda mãe, Maria aplica uma bronca no filho por ter se perdido. E Jesus lhe responde que não estava perdido. Estava na casa de seu Pai. Nas escritas apócrifas, há um adendo a esse episódio. Os doutores do templo teriam elogiado Maria por ter um filho tão inteligente. O propósito das duas narrativas é ressaltar a sabedoria de Jesus.

O MISTÉRIO DO NASCIMENTO
Em relação aos textos bíblicos, também há um crescente interesse nos trechos que abordam a infância do Messias – assim como toda sua biografia. Uma das perguntas é por que há tão poucas informações a esse respeito. Segundo o padre Jesus Hortal, reitor da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro, doutor em direito canônico, isso se explica porque o interesse exclusivo dos que registraram o início do cristianismo era relatar a Paixão e Morte do Salvador, não a sua vida pessoal. “O objetivo era contar ao mundo que o Filho de Deus se encarnou e se entregou para a humanidade, que sua morte foi redentora e que a ressurreição foi o grande fato, mostrando o amor de Deus”, afirma. O pastor Valdemar Figueiredo, do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro, acrescenta que a escassez se deve ao fato de que os narradores não pretendiam revelar o homem, e sim anunciar o Messias. “Lucas se propôs a fazer uma pesquisa mais cronológica, mas ele não foi testemunha ocular, não conviveu com Jesus.”
Realmente, mesmo as passagens canônicas não podem ser consideradas fidedignas dentro do conceito de história. “Os relatos devem ser trabalhados no sentido simbólico. Não é seguro precisar nem mesmo o local de nascimento de Jesus”, comenta Valmor da Silva, doutor em ciências da religião e pesquisador da Bíblia na Universidade Católica de Goiás. Os textos bíblicos geram dúvidas se o filho de Maria nasceu em Belém ou Nazaré – ele é chamado o Nazareno. Também não são precisos quanto à fuga da família para o Egito, o que teria ocorrido para que Jesus escapasse à perseguição de Herodes.

Para investigar os episódios descritos pelos evangelhos à luz da história, está em alta uma linha de estudos do Jesus histórico, um campo que suscita paixões. Pesquisas já revelaram que o Nazareno teria vindo ao mundo entre quatro a sete anos antes do que foi calculado. Os estudos feitos sobre o período permitem supor que Jesus deve ter sido mesmo circuncidado aos oito dias de nascimento, como diz a Bíblia. Isso porque era praxe levar o bebê para a circuncisão nessa fase. Também é possível inferir que Jesus tenha ido à “escolinha” aos sete anos. Meninos judeus costumavam entrar para a “Casa do Livro” com essa idade. Como se vê, são aspectos interessantes da vida do menino. O próprio Vaticano incentiva estudos sobre a dimensão histórica do cristianismo. “Pode-se entender esse gesto como uma tentativa de a Igreja não perder o bonde e se aproximar de um discurso mais científico”, diz o sociólogo Eurico dos Santos, coordenador do Núcleo de Estudos da Religião da Universidade de Brasília.


Fonte: istoe.com.br

domingo, 11 de novembro de 2018

Morena Flor



                                                    Morena cor, divino ardor
                                                    Pela manchada, negra flor
                                                    Tem cheiro, alegria de alma,
                                                    Tem negritude, tem luta, e dor.

                                                    Chorando os teus dias passados,
                                                    Desde a África mãe gentil,
                                                    Espera o que o futuro te apraz,
                                                    Canto lindo, ressoante...
                                                    Libertador!


Poesia de Paulo Rogerio Corrêa Vargas na coletânea "Negras Palavras Gaúchas"- 2013- Editora Evangraf



                       

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

O Barão de Itararé




Aparício Torelly, gaúcho de Rio Grande, cursava medicina em Porto Alegre. Certo dia o professor se dirigiu a ele e perguntou: “Quantos rins nós temos?” Respondeu: “Quatro”. E ouviu uma gargalhada do arrogante professor, que não satisfeito ainda ordenou a seu assistente: “Me traz um punhado de capim, pois temos um asno na sala”. Aparício aproveitou a deixa e pediu: “E para mim, um cafezinho”. Foi expulso da sala; mas na saída ainda teve a audácia de corrigir o professor: “O senhor me perguntou quantos rins nós temos. ‘Nós’ temos quatro: dois meus e dois seus. ‘Nós’ é a 1ª pessoa do plural. Tenha um bom apetite, seu capim está chegando.”
           Aparício Torelly, autointitulado Barão de Itararé, foi figura única da cultura brasileira. Com sua inteligência sagaz e seu falso título de nobreza, foi jornalista, escritor e pioneiro no humorismo político do país.
          A seguir, algumas das máximas e mínimas do barão:

De onde menos se espera, daí é que não sai nada.

< Quando pobre come frango, um dos dois está doente.

< Mais vale um galo no terreiro do que dois na testa.

<  Quem empresta, adeus...

<  Pobre, quando mete a mão no bolso, só tira os cinco dedos.

<  Negociata é todo bom negócio para o qual não fomos convidados.

< O banco é uma instituição que empresta dinheiro se a gente apresentar provas suficientes de que não precisa de dinheiro.

<  Tudo seria fácil se não fossem as dificuldades.

<  Adolescência é a idade em que o garoto se recusa a acreditar que um dia ficará chato como o pai.

<  O advogado é um cavalheiro que põe os nossos bens a salvo dos nossos inimigos e os guarda pra si.

<  Senso de humor é o sentimento que faz você rir daquilo que o deixaria louco de raiva se acontecesse com você.

<  A forca é o mais desagradável dos instrumentos de corda.

< Tempo é dinheiro. Vamos, então, fazer a experiência de pagar as nossas dívidas com o tempo.

<  Precisa-se de uma boa datilógrafa. Se for boa mesmo, não precisa ser datilógrafa.

      < O mundo é redondo mas está ficando chato.



            Fonte: jornal zero hora