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sábado, 1 de junho de 2019

Vida de um estrangeiro

        
                                                             Demorou um tempo
                                                             Pra conseguir visto.
                                                             Demorei alguns meses pra juntar dinheiro.
                                                             Pra viajar a tempo

                                                             Demorei um dia pra chegar
                                                             Para ouvir outras pessoas falando outra língua
                                                             Fiquei na janela
                                                             Ouvindo gente falar
                       
                                                             Consegui entender sem falar
                                                             Consegui amigos pra me ajudar
                                                             Eles conseguiram entender as minhas idéias
                                                             Estava com vontade de falar e até de escrever poesia

                                                            Demorei alguns minutos pra escrever esta poesia
                                                            Não demorou tanto pra divulgar minhas obras
                                                            Mas vou demorar toda a minha vida
                                                            Pra entender porque existe o racismo.

           

                                        Poesia do livro "O Inimigo em Comum", do escritor haitiano Joseph

                                        Mike L. Loudney,  jovem imigrante que trocou Porto Príncipe (capital 

                                        daquele país) pelo Brasil em 2017.

               

domingo, 5 de maio de 2019

Anténor Firmin

AVISO AOS POSSÍVEIS INTERESSADOS:

A Feira do Livro Independente de POA foi cancelada pela Prefeitura Municipal devido a previsão de chuva pro domingo. Nos próximos dias, divulgarei aqui a nova data reagendada.
Que pena... Mas sigo na pegada literária,  apresentando pra vocês um escritor negro pouco lembrado, mas que confrontou idéias racistas da sua época.

Quem foi Anténor Firmin?
Ele viveu de 1850 a 1911.
Era um antropólogo, jornalista e político haitiano.
É considerado o primeiro antropólogo negro.
Firmin é mais conhecido por seu livro "Sobre a igualdade das raças humanas", publicado em 1885, como uma refutação à obra do escritor francês, o racista Arthur de Gobineau, "Ensaio sobre a desigualdade das raças humanas" (1883) Gobineau afirmava a superioridade da raça ariana e a inferioridade dos negros e de outras pessoas de cor.
O trabalho de Firmin, argumentava o contrário:
"todos os homens são dotados das mesmas qualidades e das mesmas falhas, sem distinção de cor ou forma anatômica. As raças são iguais"
Ele foi marginalizado na época por defender que todas as raças humanas eram iguais!
Isso mesmo que você leu!
A ideia de que existem raças ou cores diferentes sempre foi um discurso de poder. Firmin foi pioneiro ao propor a integração da raça e da antropologia física.
As classificações e suas derivações - mulato, cafuzo, mameluco, pardo, cabra e etc, sempre foram um projeto de mostrar quem pertencia as raças superiores, inferiores e médias. A quem interessava construir o conceito de raça inferior e superior?
Uma pequena citação de Firmin, em "Sobre a igualdade das raças humanas" (1885)
"Antes que a ideologia dominante introduzisse o conceito de "raça" na esfera sociológica, conquistas e subjugações foram realizadas entre povos mais ou menos isocromáticos. De acordo com esse ambiente, os opressores têm que fabricar o pretexto da suposta superioridade de alguns grupos e estratos humanos sobre outros, e de alguns povos sobre outros. Mesmo depois de 1492, num caso em que não se podia adivinhar qualquer diferença de cor, os colonialistas britânicos chamaram aos irlandeses colonizados de "gorilas brancos".
Mas a globalização que, através da interligação da Europa com a África e a América, fortaleceu as suas ligações com a Ásia, forneceu pretextos de mais fácil visualização: as classificações "negra", "cobris" e "amarela", e as suas derivações, bem como as suas possíveis combinações, serviram para denegrir "seres inferiores" proclamados como "fardo" para o "branco", enquanto isso se estabelecia como um paradigma imposto." (pag. XVII)





Fonte: Centro de Estudos Africanos da UFMG