Páginas

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

Carnaval & Ditadura


Driblando a censura, o período de 1964-1985 foi enfrentado também pelos sambistas. A bonita cadência do samba tornava-se mais uma voz da resistência às atrocidades cometidas pelo país. Salgueiro, Império Serrano e Unidos de Vila Isabel foram três escolas q ue não deixaram-se intimidar, cantando em protesto contra o regime – mesmo que implicitamente.
Com o enredo “A História da Liberdade no Brasil“, o Salgueiro desfilou em 1967 exaltando as lutas populares – uma sutil referência sobre o momento vivido pelo Brasil. Todos os seus ensaios foram monitorados pelo DOPS (Departamento de Ordem Política e Social), que liberou o desfile na Sapucaí.
No Carnaval de 1969, o primeiro depois do AI-5, os compositores Silas de Oliveira, Mano Décio da Viola e Manuel Ferreira, do Império Serrano, foram obrigados pelo governo a mudar um verso do samba-enredo “Heróis da Liberdade“. Baseada na Inconfidência Mineira, na Independência e na Abolição, a letra fazia analogia à luta pela liberdade na ditadura:
“Ao longe soldados e tambores/Alunos e professores/Acompanhados de clarim/Cantavam assim/Já raiou a liberdade/A liberdade já raiou/Essa brisa que a juventude afaga/Essa chama/ Que o ódio não apaga pelo universo/É a revolução em sua legítima razão”. Considerada subversiva, a frase foi reescrita. “É a evolução em sua legítima razão”.
Ainda em pleno regime militar, a Unidos de Vila Isabel levou para avenida o samba-enredo “Sonho de um sonho“, em 1980. Inspirada na poesia de Drummond de Andrade e assinada por Martinho da Vila, a composição clamava pela liberdade sem disfarces. “Um sorriso sem fúria entre o réu e o juiz/A clemência e a ternura por amor da clausura/A prisão sem tortura, inocência feliz/Ai meu Deus/Falso sonho que eu sonhava”.
O verso “a prisão sem tortura” é considerada uma das mais ousadas manifestações contra o governo. Porém, o espírito progressista durou pouco tempo. Três anos depois, a escola de samba passou a ser presidida pelo Capitão Guimarães, militar acusado de ter participado de procedimentos de torturas contra presos políticos.

Fonte:  catraca livre.com.br






terça-feira, 14 de janeiro de 2020

Preconceitos da vida

        

           Bom, o preconceito é uma coisa que a gente pode superar.  Eu já vi muitas pessoas preconceituosas contra negros, índios, deficientes, mas eu penso de outra maneira de uns e outros, porque gente é gente, todos tem direitos e deveres a cumprir, tem pessoas que pensam de maneira diferente. São guerreiras que cuidam de deficientes físicos, aidéticos, velhos, crianças negras, índios. Trabalham para salvar vidas.
          Tem pessoas que ainda estão superando seus preconceitos, e isso é muito bom.
          Mas ainda há um grande preconceito contra os índios, pois ainda tem pessoas que acham que os índios não tem calçados e comida e que ainda somos selvagens.
          Mas a nossa dor de índio é que os brancos se apossaram de nosso "canto", de nossas terras, de nossas aldeias.
          O diferente é que temos nossas próprias leis, meninas podem se casar a partir de 12 anos, temos cadeia e escola na comunidade, nós somos Kaingang com muito orgulho.


                                                                                                          Kauana Inácio Lima
                                                                                      6º ano do Ensino Fundamental (na época)
                                                                                            E.E.I.E.M. FÁG KAVÁ- Ronda Alta/RS
                                                                                            Coletânea "Crianças e Jovens do  Rio 
                                                                                         Grande Escrevendo Histórias. Editora 
                                                                                          CORAG- Porto Alegre/2014