Páginas

sábado, 9 de junho de 2018

A vida de Cão

   
    
           O homem escolhido para explorar a costa sul da África defendendo interesses econômicos de Portugal, foi Diogo Cão, navegador formado na "escola do Golfo" (a exigente arte de navegar na costa da Guiné). Cão partiu em agosto de 1482 e chegou à foz de um grande rio, que chamou de rio Poderoso. Era a embocadura do Congo, hoje Zaire. Ali, Cão deu início a uma nova fase de périplo africano: ergueu um "padrão", na ainda hoje chamada Ponta do Padrão (6º de latitude sul). Padrões eram colunas de pedra, com cerca de 2,5 m de altura, encimadas por uma cruz e com inscrições em português, latim e árabe, que os lusos passaram a usar como prova de suas descobertas e símbolo de sua fé.
          
          Na sequência de sua primeira viagem, Cão chegou ao Cabo Lobo (hoje Santa Maria, em Angola, a 13º 6' de latitude sul) e, sem que se possa entender por quê, concluiu que ali a África acabava. Ao retornar ao reino, em abril de 1484, deu notícia a D. João II. No outono de 1485, Diogo Cão voltaria a partir com a missão de atingir o oceano Índico. Ao ultrapassar o Cabo do Lobo, percebeu seu erro. Quando Cão voltou humilhado da viagem, grande decepção se abateu sobre o reino. D. João II jamais o perdoaria.



Fonte: Trecho do livro "A Viagem do Descobrimento - A verdadeira história da expedição de Cabral", de Eduardo Bueno- Coleção Terra Brasilis Vol. 1.

quarta-feira, 23 de maio de 2018

O guri e a lebre



         O guri era medonho. Levado. Mexia em tudo que via. O pais, faça-se a justiça, tentavam impor autoridade, mas as reprimendas, naquele ouvidinho, entravam por um lado e saíam pelo outro. Dizer à ele: Não mexe nesse botãozinho aqui, tá? ... equivalia à um convite pro rapazinho, assim que possível, apertá-lo. Pedir pra ele não desfolhar mais a planta que o papai plantô no canteiro, era como convidá-lo a destruí-la sem piedade. Lembrá-lo que o cãozinho da casa é amigo e não é pra batê nele,  apenas encorajava-o a, longe dos holofotes, descer o cacete no animal.
          Na rua e na casa dos outros, então, nem se fala... Passava a mão em tudo o que a curiosidade infantil queria. Aproveitava-se da hospitalidade e tolerância próprias dos anfitriões para disparar alarme, meter palito em fechadura, despejar terra em aquário, arrancar etiqueta de calça na loja, derrubar prateleira de conservas no mini-mercado e outros tantos abusos que aqui não caberiam. 
Dêxa ele... É criança e tem que brincá... Era dessa forma que a autoridade do pai e da mãe era jogada por terra quando, em casa alheia, esforçavam-se para reprimir o ímpeto mexilão do guri. Bater nele também não adiantava muito, principalmente quando o safanão partia da mãe. Os tapinhas e beliscões da genitora faziam-no debochar dela e da sua falta de vigor. O pai ele até que ouvia, mas simplesmente mudava o foco de suas investidas e, por exemplo, se Alfeu gritasse pra ele parar de jogar pedra no carro ele até obedecia, mas  se mandava pra torneira da frente, ligava ela sem autorização e embarrava os pés na lama.
                                              <<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<

      Lebres são animais solitários e possuem hábitos noturnos. Durante o dia dormem numa toca forrada de capim, acordando apenas ao anoitecer e antes de abandonar o seu abrigo, investiga o ambiente ao redor. Apenas após certificar-se de que não há perigo por perto, aventura-se a sair em busca de alimento. Sua alimentação consiste, basicamente, de partes verdes das plantas e nabo. É muito confundida com o coelho e embora as diferenças entre esses dois animais sejam evidentes, a mais notável diz respeito aos membros posteriores. Enquanto na lebre são bem mais longos que os anteriores, no coelho ambos membros possuem o mesmo comprimento. Esta característica, aliada a um corpo musculoso faz da lebre um corredor muito ágil e resistente.
       A gestação da lebre dura em torno de 40 dias. A fêmea dá a luz de um a cinco filhotes, em um ambiente tranqüilo e abrigado. Os cuidados maternais limitam-se a amamentação, que em geral acontece a noite. Durante o dia, os filhotes ficam sozinhos. Estes, ao contrário dos filhotes de coelho, que nascem de olhos fechados e sem pêlos, nascem cobertos de pêlos e olhos bem abertos. Pouco tempo após o nascimento já conseguem andar sozinhos.

(infoescola.com)


     

   Conhecida como “lebrão”, por seu tamanho diferenciado em comparação a outros animais semelhantes, a Lepus europaeus pode chegar a 70 cm quando está saltando, esticada.Essa espécie é nativa da Europa e foi trazida para a Argentina e para o Chile para a chamada caça esportiva. Se proliferou rapidamente por países vizinhos e chegou ao Brasil nos anos 50. Sua primeira aparição registrada em literatura foi no Rio Grande do Sul no início dos anos 80.Em mais de 3 décadas de adaptação bem sucedida, a espécie atualmente é considerada por muitos uma praga que devasta plantações no sul e no sudeste do Brasil.

(vista.se.com)

                                   >>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>
          Já um pouco mais crescido, o guri, que alguns anos antes, em companhia do primo,  havia enterrado, meio viva, uma  esquelética e adoentada filhote de pastor alemão, certo dia foi com alguns coleguinhas de rua conhecer o que era de fato caçá lebre no morro. Naquela manhã de sol forte, eram quatro homenzinhos, dois deles segurando compridos cassetetes de madeira em mãos, andando a passos decididos, firmes, em direção ao Morro da Embratel, que naquela época era um criadouro natural e a céu aberto de lebres em Porto Alegre.
          Entre tantas diversões e passatempos da gurizada da periferia, a caça da lebre a pauladas era apenas mais uma. O único novato no excitado grupo era exatamente ele, o filho primogênito de Alfeu, guarda municipal e Cinara, caixa operadora da Mercearia Tavares, estabelecimento comercial tradicionalmente bem abastecido pelos legumes, hortaliças frescas e suculentas frutas da Vila Nova. O guri, havia algum tempo, andava com a curiosidade obstinadamente aguçada sobre como se pegava uma lebre de jeito. Todos ali, menos ele, sabiam exatamente o que fazer e acontecer quando o assunto era, sorrateiramente, descer o sarrafo na cabeça do assustado orelhudo. Ás vezes era preciso correr muito, pois o bicho desviava da primeira paulada e saía em carreira pela encosta daquele morro coberto de vegetação ainda nativa. Foi isso o que acabou  acontecendo logo na estréia dele como auxiliar de caçador lebreiro. O coleguinha golpeou apenas o ar, quando tentou sem sucesso esfacelar o crânio da Lepus europaeus e tão logo esta recompôs a postura de exímia velocista, largou em disparada rumo à vida, a salvação, ao sossego de viver em paz. Eram, no entanto, mais fortes e persistentes aqueles que queriam o seu fim. A lebre parecia disposta a não se deixar alcançar novamente, pois carregava em si um segredo que, principalmente as mulheres devem entender bem. Quando, novamente acuada, dessa vez entre duas grandes rochas, sentiu que o fim, prematuramente para os seus, aproximava-se, tentou despertar a compaixão alheia para o seu drama. Emitiu um alto grunhido, que melancolicamente lembrava choro de criança. A semelhança com o lamento de um bebê foi tanta que as pernas do guri bambearam feito vara de bambu no taquaral, ali, em plena emboscada. Os olinhos da criatura, da mesma forma, fitavam-o numa última exortação a piedade. Já as orelinhas, murcharam em sinal de submissão e fraqueza frente á inimigos tão implacáveis.


                     Nada, entretanto, conseguiria naquele instante refrear a inabalável resolução que insuflava o organizado grupo e na segunda vez a paulada foi certeira. Não adiantou nem mesmo confidenciar seu íntimo e mais caro segredo às portas da morte. Mais tarde, quando com uma afiada faca de serra cortavam eles a barriga da fêmea de quatro patas para arrancar-lhe o couro, encontraram quatro filhotes, todos ainda vivos, mexendo-se. Em consideração e respeito à raça humana, principalmente às crianças, que agem de tal forma por impulso e sem maldade ainda consolidada na alma, abstenho-me de relatar os pormenores do que lamentavelmente ocorreu em seguida e encerro pontualmente aqui mais uma narrativa escrita e baseada em fatos da vida real.     

                                                                           
                                                                                                               Cesar
                       

domingo, 6 de maio de 2018

Dezoito ervas que curam




O uso das ervas para fins medicinais (prática atualmente conhecida como fitoterapia), tem sua histórica mesclada com as origens da sociedade. Muitos são os benefícios que a correta aplicação das ervas pode trazer ao nosso corpo e mente, sendo capaz de tratar variadas mazelas como a indigestão, úlceras, psoríase e insônia. Veremos aqui 18 ervas que podem curar.

1. Gengibre

O gengibre é um dos remédios naturais mais poderosos que existem. Pode ser utilizado para proteger o estômago contra úlceras ou mesmo na prevenção de náuseas e enjoos. Pode também aliviar a dor, pois é um analgésico natural.

2. Erva-de-São-João

A erva-de-são-joão é utilizada há muito tempo para tratar depressão com muita eficácia. Também traz efeitos benéficos no tratamento de dores nervais e ansiedade. O uso desta erva em comunhão com outros medicamentos é desaconselhado, dada à força de interação da erva no organismo.

3. Camomila

O chá de camomila é amplamente conhecido por ser capaz de acalmar. Além disso, pode aliviar os sintomas de insônia e trazer benefícios ao sistema nervoso.

4. Arnica


A arnica é utilizada pela medicina homeopática há muito tempo. É capaz de aliviar traumas físicos, apaziguando a dor. Normalmente, a arnica é aplicada através de pomada sobre o local que se deseja impulsionar a cura.

5. Alho

O alho é um antisséptico natural. Fortalece o sistema imunológico e é capaz de prevenir gripes e resfriados. Tem papel fundamental na prevenção de diversos tipos de câncer, como o de estômago. É aconselhado ao menos dois dentes de alho por dia no preparo das refeições. Veja aqui receitas de chá de alho.

6. Ginkgo


O ginkgo biloba tem origem na China e é amplamente conhecido no Brasil. Graças aos glicosídeos aos e flavonoides em geral que estão presentes em sua composição, o ginko melhora a circulação e também o fluxo sanguíneo. Além disso, comprovadamente pode ajudar a melhorar a memória.

7. Echinacea


Um tipo de margarida roxa que pode melhorar a qualidade do sistema imunológico do corpo. Além disso, pode ser utilizada para tratar úlceras, gripes, amigdalite e também herpes zoster, cujo surgimento é recorrente quando a imunidade está baixa.

8. Aloe vera


Além de ser capaz de aliviar queimaduras na pele, a aloe vera é uma excelente planta antibacteriana e antifúngica. Pode ser utilizada como antisséptico bucal para prevenir problemas relacionados a mazelas dentárias.

9. Ylang ylang

Além de ser popularmente conhecido por ajudar a tratar problemas relacionados à impotência sexual nos homens, o ylang ylang possui propriedades capazes de evitar palpitações e hiperventilação no organismo.

10. Hortelã


Encontradas aos montes em quase todo quintal de casa, as folhas de hortelã são capazes de aliviar cólicas, indigestão e dor menstrual. Seu chá é feito de forma simples, bastando ferver uma xícara de água com um punhado de folhas de hortelã bem lavadas.

11. Lavanda


A lavanda pode trazer benefícios físicos e mentais. Seu extrato ou pomada pode ser aplicado diretamente sobre queimaduras, feridas, picadas e mordidas. Além disso, se sua essência for aplicada na fronha e no travesseiro a noite de sono será tranquila.

12. Árvore-do-chá

Natural da Austrália, a árvore-do-chá tem propriedades antissépticas poderosíssimas. Seu creme ou extrato pode ser aplicado para limpar ferimentos e machucados. Além disso, suas propriedades antivirais e antibacterianas garantem proteção contra parasitas.

13. Yam Mexicano

O Yam Mexicano pode ser encontrado no Brasil como “inhame selvagem” ou mesmo “inhame mexicano”. É um poderoso medicamento natural para aliviar dores da menopausa, diminuindo as dores sentidas nesse período.

14. Flores de calêndula


As flores de calêndula são utilizadas para tratar problemas dos olhos e pele. Também é capaz de reduzir a dor de varizes no corpo. Seu chá é facilmente preparado com a infusão da flor e serve especialmente para aliviar dores menstruais, além dos benefícios citados acima.

15. Hamamélis

Hamamélis é fruto da extração da casca de uma árvore nativa americana. Pode ser utilizada para tratamentos tópicos relacionados a pele, como espinhas, contusões e hemorroidas. Aplica-se normalmente através de compilado, creme ou pomada.

16. Olíbano

Encontrada especialmente na África do Norte, a extração da resina da árvore de incenso, olíbano, é capaz de aliviar a tensão e ansiedade, além de possuir propriedades antienvelhecimento. Pode também tratar feridas e úlceras.

17. Matricária

A matricária é capaz de aliviar dores de cabeça e enxaqueca. Pode também reduzir dores menstruais e de artrite. Como seu efeito é muito poderoso, recomenda-se que não seja utilizada por gestantes.

18. Óleo de Prímula


O óleo de prímula pode reduzir a rigidez muscular graças às altas quantidades de ácidos graxos em sua composição, como o ômega 6. É recomendado também para melhorar os níveis de concentração.

Ervas medicinais e recomendações gerais

É importante procurar a orientação de um médico ou profissional de saúde antes de optar por iniciar tratamento com uma erva ou outra. Somente o médico poderá confirmar se o uso de determinadas ervas é permitido para o seu organismo.


Fonte: www.greenme.com.br