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domingo, 30 de julho de 2023

O Rio Guaíba e o Àse.

           


          Os nossos mais velhos, nossas ancestralidades, usavam o Rio Guaíba para fazerem suas ofertas em Àse, uma tradição que está até o dia de hoje em nossa prática e da qual eu utilizo. Se olharmos para a Nigéria, no continente africano, lá quem é da tradição cultual Òsun tem o rio com seu próprio nome, Yemojá que é o rio Ògun e aqui temos o Rio Guaíba, o lugar onde os primeiros Bàbálórisà e Iyálórisà levavam suas obrigações para agradar as Divindades de Odó (rio).

          E vejam bem, também Yemojá, ainda que seja vista desde épocas antigas como divindade dos mares e oceanos. Mas no continente africano nem todos estão em volta do mar, Yemojá também é reverenciada em rio. Foi o que aconteceu aqui e ainda acontece até nos dias de hoje.

          Eu não vou levar uma canjica para o pai Osàlá ou quem mais recebe no mar, pela distância a que estou. Eu levo em Ipanema, no Rio Guaíba, chamo por Yemojá e ela me atende, como se fosse no mar. Vendo por esse lado, também vejo que o povo Yorùbá, depois da abolição, ao ofertar suas obrigações levavam ao rio, só mudaram de local pela história da diáspora, mas seus olhares e pensamentos quando olhavam para o Rio (odò) Guaíba ao despachar algo, posso até pensar que viviam em lembranças sobre histórias contadas pelos seus pais e parentes sobre África relacionada em odò (rio).

          

Do livro O Batuque de Nação Òyó no Rio Grande do Sul- Mestre Cica de Òyó- Hucitec Editora/2021

Já falei sobre esse autor, uma autoridade em cultura africana,  por aqui, mas desse obra falarei mais, na sequência.

quinta-feira, 13 de julho de 2023

Traduzir-se

                                                    



Uma parte de mim é todo mundo                Outra parte é ninguém, fundo sem fundo

Uma parte de mim é multidão                      Outra parte estranheza e solidão

Uma parte de mim pesa, pondera                Outra delira

Uma parte de mim almoça e janta               Outra parte se espanta

Uma parte de mim é permanente                Outra parte se sabe de repente

Uma parte de mim é só vertigem                 Outra parte linguagem


                                    Traduzir uma parte na outra parte

                                    Que é uma questão de vida e morte

                                                       Será arte?



Poema de Ferreira Gullar, A diagramação foi transcrita do encarte do álbum (LP) homônimo de Raimundo Fagner, lançado aqui no Brasil em 1981.

sábado, 1 de julho de 2023

Nicolas Winton e as 669 crianças salvas

 


          Em 1938, Nicolas Winton, filho de pais judeus, trabalhava como corretor de valores em Londres. Mas, após a ocupação nazista de Praga, Winton decidiu abandonar seu trabalho e dedicar todos os seus esforços a resgatar crianças judias na capital tcheca. 

          Seu plano consistiu em enviá-las para o Reino Unido, onde convenceu as autoridades a deixar com que entrassem mesmo sem ter os documentos necessários.

          Uma vez ali, Winton, que morreu em 2015(em 1º de julho), conseguiu um grupo de famílias para abrigar as crianças.

          Graças a suas ações, 669 crianças sobreviveram ao Holocausto.

        Poucos conheciam a proeza de Winton até que uma apresentadora de TV tornou público seus esforços em 1988.


Fonte: bbc.com/portuguese




                                                                             😍