domingo, 8 de março de 2026

Mulher, segundo ela própria.



Qual a reflexão para hoje, no dia internacional da mulher?
Historicamente uma data lutada e criada para nos proporcionar direitos, igualdades, equidades. Mas como quase tudo, virou comércio. Sinônimo de presente e homenagens simples. Que sim, tem seu valor. Mas paramos para pensar em como é ser mulher?
Será que nos importamos em como educamos nossos meninos? Será que nos importamos com o exemplo que somos? Ou é sempre mais fácil continuar fingindo que não acontece, que é bobagem ou exagero, por que não aconteceu conosco?
E para nossas meninas...até quando vamos continuar dizendo que elas precisam ser recatadas, falar baixo, rir baixo, vestir-se de tal maneira...
Até quando vamos aceitar discursos que rebaixam mulheres por ser mães solos, por ter uma tatuagem, por ter mais de 25 anos...até quando vamos normalizar que homens adultos desejem nossas crianças e meninas...até quando as mulheres seguirão sendo mortas pelo simples fato de dizer não ao homem...
O dia de hoje é importante mas acho que é a primeira vez que me desperta para além das homenagens.
Precisamos também lutar. Precisamos nos desvincular de dogmas e respostas prontas. A vida é complexa demais, plural demais, para resumir todas as respostas em um só lugar.
Que possamos nos conscientizar e evoluir não só por nós ou por quem amamos, mas pela sociedade como um todo.
Viva as mulheres! Nos deixem viver, ser livres, sem condenar nossas escolhas. Nos deixem ser crianças , meninas, imaturas e ingênuas porque é o que faz parte dessa fase...
Feliz dia a todas nós que somos ou não mães, que trabalhamos fora e/ou em casa, que temos ou não uma crença, que vamos ou não à igreja, ao terreiro, ao centro espírita e etc, que decidimos o que vestir, o que comer, com quem se relacionar.

Sou grata por todas as mulheres que fazem parte da minha vida, sempre aprendemos lições valiosas...mas desejo um mundo melhor para minha filha e para todas as meninas que eu também, fui um dia... 



                                                                                                               Zane da Rosa

domingo, 1 de março de 2026

Águas de março

 


            Os desfiles carnavalescos das principais escolas de samba daqui de Porto Alegre e região metropolitana, como sempre, ocorrem após os festejos de Momo e rolou nesse final de semana. Uma das agremiações aqui do meu bairro fez um belo desfile, desenvolvendo enredo sobre a importância da água, pra nós, pro meio ambiente e dentro da religiosidade.

     E já que em nosso país é dito que o ano começa, de fato, só depois do carnaval, começo oficialmente o meu, pedindo que as poéticas e aclamadas Águas de Março venham pra lavar, hidratar, irrigar e principalmente, abençoar o nosso mundo em chamas.

domingo, 22 de fevereiro de 2026

Ancestrais e a diáspora negra



          Eu fico pensando em quando os povos da melanina preta ou negra viviam em harmonia entre si, até serem dominados, sem saber o porquê, pelo próprio semelhante. Eles viviam no mesmo planeta, sendo os primeiros seres humanos criados pelo Criador para formar a humanidade que viveria em cada lugar do planeta terra. No começo, viviam uns próximos dos outros, no meu pensar, com ideias iguais e vivendo na mesma terra e dividindo seus costumes e alimentos, respirando o mesmo ar, e o que interessava a eles era a liberdade num sistema de ir e vir. Como seres humanos nômades que viviam em grupos num certo número de homens, mulheres e crianças, sem saberem, eram acompanhados pelos Òrisàs, seus orientadores em seus percursos, para que no tempo certo, esses seres humanos negros, com o passar dos séculos ou décadas, vieram a deixar semente e continuar com o círculo da vida.

          Ao passar pela terra, no tempo determinado pelo Criador ao criar a humanidade, a cada grupo correspondem um destino e uma tarefa. Nascer, cuidar, orientar os seus e, com o decorrer do fim das suas vidas, se é assim e escrito pelo destino, tornar-se uma ancestralidade para também, de uma forma ou outra, ajudar e orientar quem ele deixou como semente quando esteve de passagem na terra.

          Nossos ancestrais foram também perseguidos na diáspora e sofreram por não concordarem com o que impõem religiosos de outros segmentos. Todos nós somos os mesmos seres, criados pelo mesmo Criador que no começo da humanidade escolheu a negra para ser sua progenitora. Mas o criador já sabia que um dia o filho biológico, por ver sua Mãe com a melanina preta, diferente da dele, iria torná-la sua escrava, e não contente, tornou seus irmãos escravos pelo mesmo motivo. O diferencial, que era a cor, também os escravizou.


Fonte: Mestre Cica de Óyó, Bábàlórisà, escritor, professor do idioma yorubá, pesquisador e   disseminador da ancestralidade negra, em seu livro "O Batuque de Nação Òyó no Rio Grande do Sul".