domingo, 7 de junho de 2026

A meditação mântrica

 




           Os populares "Hare Krishnas" são conhecidos pela maior parte da sociedade como figuras exóticas de modos e trajes típicos. Quem nunca foi abordado por um "Hare" vendendo incensos ou livros no ônibus, ao menos avistou um grupo tocando instrumentos musicais indianos entoando repetidamente:

                              Hare Krsna, Hare Krsna

                              Krsna Krsna, Hare Hare

                              Hare Rama, Hare Rama

                              Rama Rama, Hare Hare

            Na verdade, no mundo ocidental, pouco se sabe a respeito da cultura que os inspira. O processo de cantar e ouvir as glórias de Deus, a meditação mântrica, as escrituras sagradas, os mestres espirituais, a alimentação lacto-vegetariana e a adoração a deidades compõem um universo ainda pouco familiar aos olhos ocidentais. Sabe-se que seus hábitos são oriundos da Índia, mas o seu significado é pouco compreendido.

            A base do movimento pela consciência de Krishna é a cultura védica, a mais antiga da humanidade. Todos os seus aspectos (religiosos, filosóficos, científicos, sociais, etc.) estão voltados para a espiritualidade, para a busca da auto-realização e o contato com Deus.

            O Senhor é o proprietário de todo o universo e assim pode ser conhecido por diferentes nomes, em diferentes lugares. Qualquer nomenclatura que se relacione ao Senhor Supremo é tão sagrada quanto as outras. Todas dizem respeito à Deus. Estes Santos nomes são tão poderosos quanto Ele e nada impede que alguém os cante glorificando-O através do nome específico pelo qual é conhecido em determinada religião ou região. A literatura védica milenar da Índia reconhece o mantra Hare Krsna como Supremo - Maha-mantra -  pois contém todos os outros.

            O nome KRISHNA significa "o todo-atrativo", RAMA o "todo-agradável". HARE é uma súplica à energia interna de Deus. Quando cantamos o Maha-mantra estamos orando ao Senhor todo-atrativo, à sua potência interna de prazer, que nos aceite e possamos satisfazê-Lo servindo-O. 

            Mantra é a vibração sonora capaz de nos conectar à energia Suprema que controla todas as coisas, materiais e imateriais. Ao entoarmos mantras, automaticamente entramos em contato com níveis superiores de consciência e ultrapassamos os limites dos padrões mentais condicionados. Assim, podemos desenvolver o controle mental e atingir o equilíbrio emocional necessário para uma vida saudável e harmoniosa. Não há nenhuma restrição para a prática da meditação mântrica. Pelo contrário, o processo de cantar mantras é indicado como o processo ideal para o homem moderno na busca da auto-realização. Descubra a paz em meio ao caos.


                                 🙏


  Fonte: Informativo do Centro de Estudos Védicos de Porto Alegre                                              

segunda-feira, 1 de junho de 2026

O Tio Sam vem aí

 


             Após certo período de advertência, os U.S.A passaram a classificar as facções criminosas daqui como grupos terroristas.

   Sem querer chateá-los com ponderações nacionalistas e políticas, na condição de mero cidadão brasileiro, vejo com certa desconfiança mais essa altruísta decisão do governo norte-americano, dessa vez, diretamente apontada pro meu país. Coincidência ou não, todas as intervenções bélicas externas de Trump são em países com alguma reserva mineral  ou fóssil de fazer inveja.

    Não tenho, é lógico, a capacidade de prever as próximas jogadas desse tabuleiro, mas posso, isso sim, manifestar publicamente a minha apreensão, com base no histórico arbitrário desse senhor de cabelos brancos que parece, de fato, se julgar dono do mundo.

     Mundialmente falando, o tráfico de drogas tá fortemente infiltrado na política e não acredito que a influência externa de uma potência mundial vai pura e simplesmente acabar com ele e é por isso que eu encerro evocando, em tom de consultoria, aquele velho ditado:


"Each monkey in its own tree."


domingo, 24 de maio de 2026

O perigo, a flor e o espinho

 


          Muito cômodo é, divulgar resenha ou propagandear obras de escritores consagrados. Solidário e justo se configura, segundo penso, em contrapartida, proporcionar visibilidade aos autores não aclamados pela mídia, redes sociais e circuitos de divulgação afins. Muitos desses, são cronistas da realidade social em que vivem e podem sim, representar-nos muito bem e prender as nossas atenções com as suas histórias.

          Um deles, que conheci anos atrás, é Geraldo do Cavaco, que como o próprio nome já diz, é músico também e tem forte ligação com a história do samba aqui em Porto Alegre. Não é a primeiro vez que trago ele aqui, não por acaso, pois seu estilo simples, mas claro de escrever, típico de homem do povo, cativou-me a ainda cativa muito.


          Para apimentar a minha rotina foi morar uma senhora com sua empregada no último andar. Esta senhora se chamava Talita e sua empregada Vilma. Eu subia e descia e sempre respeitosamente cumprimentava as pessoas , pedia licença para entrar e sair no elevador. Dona Talita foi com a minha cara e me convidou pra modificar a pintura em seu apartamento. Tudo era branco, ela queria mudar alguma coisa por causa dos móveis. Não podia fazer aquilo porque era o padrão de cima a baixo, mas ela foi convincente e me pediu nas horas vagas que fosse pintando, aos sábados e domingos, seria um biquinho. Fui caindo na dela, tava me infiltrando, almoçava e, pum, enfiava-me no apartamento de Dona Talita pra bater papo com a Vilma, sua empregada. Ás vezes ela não estava em casa, já me sentia em casa, já estava me sentindo no dever de convidar Vilma pra sair comigo num fim de semana. Só que ela tinha um caso com um cara e este cara era um policial que eu não conhecia, isto me travou, senti o perigo. Retirei-me pra refrescar a memória. Pedro, meu mestre, sacudia o rabo quando via Vilma nos corredores do edifício, uivava, latia, babava, lambia o chão onde ela pisava, mas não levava nem um tchau. Isto deixava ciscando o capim, cheirando o chão onde ela pisava e não tinha vaga. Comigo era diferente, volta e meia ela andava me procurando, me convidando para subir e para bater um papo, tomar um sorvete no apartamento com ela, e Pedro tinha ciúmes. Agora eu tinha que me cuidar de dois, do policial e do meu mestre. Às vezes eu não ia embora, eu batia o meu cartão, mas me enfiava no apartamento e ia pintar à noite. Isto me tornou suspeito. Vilma não era de se botar fora, ela vestia umas ¹cocotinhas e calçava um tamanquinho de saltinho e o cabelo de fazer uma trança só que lhe caía nas costas. Era um filé, ela chamava muito a atenção andando acompanhada e só, muito mais! 

          Numa noite, Vilma estava só no apartamento, eu senti que seria o dia fatal e ideal para o ataque. Deitou no sofá cama onde era a sua cama e ficou a me olhar, então eu comecei a sacudir o rabo, com as duas orelhas em pé, e parei de pintar. Disse a ela que tava na hora de nós termos uma conversa franca e me sentei ao seu lado. Ela estava deitada de bruços dava pra ver todo o seu perfil. Fui dizendo a ela que eu queria me concentrar no trabalho, mas ela estava me tirando a atenção e eu não estava conseguindo fazer nada.

          Eu estava a fim dela naquele momento e minhas mãos já andavam viajando por suas pernas quando ela sentou do meu lado, pegou minhas mãos nervosas, me deu um beijo, me olhou bem nos olhos e me disse: Geraldo, tu não sabe nada de mim, por isto eu vou ser franca contigo, com eu também gostei de ti, vou contar para tu não dizer que eu te enganei. Então passou a me revelar de onde era, sua terra, como veio trabalhar com Dona Talita, o envolvimento com este policial, que era mais velho que ela, e por último, a bomba que me tirou do ar.

                                             😵😯😨


          Ela me contou que estava encrencada por que suas ²regras já estavam atrasadas há dois meses e ela estava com medo, longe de casa como iria ser? A patroa era uma senhora velha, como iria cuidar se era ela que precisava de cuidados? E ela sabe, um bebê chora, quer colo, se acorda a noite. Ela nem quarto tinha, dormia naquele sofá cama, e agora? E agora digo eu. Pergunto se a dona Talita sabe e ela diz que ainda não. "Eu preciso me virar, arrumar um meio de me livrar desta encrenca, e agora, por que depois eu não sei o que pode acontecer". Com a notícia-bomba tudo murchou, o galinho perdeu a crista.

          Eu pergunto: E o cara? Ela me responde: Hi, ele não esta nem aí, eu tentei dizer a ele, mas ele desconversa. Então ela me diz: Se tu pudesse me ajudar eu ficaria muito grata, vou começar vida nova de hoje em diante. Eu disse: Como vou te ajudar? E ela: Bom, tu vais receber desta pintura, então tu me empresta dois mil, por eu não quero pedir pra Dona Talita e nem ela precisa ficar sabendo, tá? Posso contar contigo? Eu sacudi a cabeça por que não tinha mais nada a fazer e fui me levantando. Ela ficou com as minhas mãos ainda presas e vendo o meu desânimo soltou e disse: Tu me desculpe, eu gostaria que fosse de outro jeito, mas infelizmente não é! Eu fui pra casa naquela noite pensando, e se a velha já sabe? E deixou uma ratoeira pra mim? Sim, porque eu entro, dou uma ruída no queijo e a Vilma não me fala nada? E depois anuncia que aconteceu? E explode notícia no edifício que o Gegê vai ser papai? Sim, porque aí eu vou ao pote todos os dias e como vou explicar que não é meu? A velha vai fazer de tudo para amparar a Vilma. Se a Vilma fosse trapaceira teria me metido num bolo naquela noite, mas ela me contou, teria acontecido, mas eu sou casado, tenho mulher e filhos? Como vai ficar, é um caso a ser pensado, não vou poder ficar com ela. Depois, se a velha, ao querer amparar a empregada, diz que eu abusei, deixei ela sair, para abusar da empregada? Eu perco tudo, casa, mulher, emprego, vou parar atrás das grades e com um policial na minha cola. Eu tinha que ter cabeça, vou pensar. Assim, eu me afastei de Vilma, mas Pedro soube por outros que eu estive com ela.


                   Fragmento de  'Memórias de Geraldo do Cavaco"- 2ª edição- 2016.



1  o termo cocota tem origem no francês "cocotte" que é um tipo de calça jeans com        o cós muito baixo e justa ao corpo.

2   menstruação