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sábado, 19 de janeiro de 2019

Impactos do agronegócio no Brasil



         Os números que indicam o crescimento do agronegócio no Brasil são muito animadores em uma perspectiva meramente econômica. Contudo, em uma perspectiva ambiental, esse avanço gera preocupação em virtude dos diversos impactos ambientais causados pela superexploração do meio ambiente. Na busca pelo desenvolvimento e lucro imediato, muitas empresas desrespeitam as legislações ambientais e exploram o meio ambiente sem se importar com as consequências dessa exploração, causando diversos problemas ambientais no espaço agrário. Entre esses problemas, destacam-se:
  • O Desmatamento é a primeira consequência da atividade agropecuária no Brasil. Desde o início da colonização, grande parte das áreas de vegetação nativa do litoral, região Sul e Centro-Oeste do Brasil foi desmatada para abrir espaço para áreas de pastagem e cultivo. Em virtude desse crescente desmatamento, o Cerrado e a Mata Atlântica já foram introduzidos na lista mundial de biomas com grande diversidade que estão ameaçados de extinção (os chamados Hotspots), existindo ainda a previsão do desaparecimento do Pantanal e da Amazônia nos próximos anos caso sejam mantidos os mesmos índices de desmatamento nesses biomas.
  • Perda da biodiversidade: Com o desmatamento, muitas espécies da fauna e da flora entram em extinção, pois não conseguem garantir a sua sobrevivência nas pequenas reservas que restam de seu ecossistema.
  • Degradação do solo: O desenvolvimento extensivo da agricultura tem causado a degradação do solo, que acaba se tornando improdutivo ao longo do tempo, gerando não só problemas ambientais, mas também problemas econômicos para aqueles que o degradaram. As técnicas de cultivo inadequadas, o uso intensivo de máquinas e a não rotatividade das culturas produzidas no solo podem ocasionar o esgotamento dos nutrientes, compactação, erosão e aceleração da desertificação. Na pecuária, o pisoteamento contínuo do gado pode compactar o solo e favorecer o desenvolvimento de processos erosivos.
                                                       
                


        Fonte: brasilescola.uol.com.br

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

França abre caminho para devolver arte saqueada


A restituição de artefatos trazidos por potências coloniais da África para a Europa é tema de debate internacional. Relatório encomendado por Macron pode inaugurar novo capítulo na história da devolução de arte saqueada.Um relatório apresentado no final do ano passado,  recomenda a alteração das leis da França, permitindo que tesouros culturais levados da África durante o período colonial sejam devolvidos a seus países de origem. A atual legislação proíbe estritamente que o governo ceda qualquer propriedade estatal, mesmo em casos bem documentados de saque.
Num discurso em Burkina Faso, em novembro de 2017, o presidente Emmanuel Macron despertara esperanças de uma mudança dessa política radical: "O patrimônio africano não pode estar unicamente nas coleções privadas e nos museus europeus", declarou. Em seguida, o chefe de Estado encarregou a historiadora de arte francesa Bénédicte Savoy e o autor senegalês Felwine Sarr de tirarem conclusões sobre a questão.
Em seu relatório, os especialistas recomendam que se possibilite a restituição no caso de serem fechados acordos entre Paris e os respectivos Estados africanos. A mudança se aplicaria, em especial, a obras mantidas em museus e que foram "transferidas de seu território original durante o período colonial francês".

Controvérsia de longa data

Dos 90 mil objetos de arte da África subsaariana que Savoy e Sarr estimam encontrar-se em museus franceses, 70 mil estão no Quai Branly, em Paris, criado pelo ex-presidente Jacques Chirac, um entusiasta da arte africana e asiática. Alguns dos artefatos foram comprados, permutados ou, por vezes, simplesmente roubados por soldados, exploradores e outros, durante o período colonial.
A controvérsia sobre a propriedade de obras de arte não é nova. Uma convenção da Unesco contra a exportação ilícita de bens culturais, adotada em 1970, defendia a devolução de propriedade cultural retirada de um país, mas não se referia a casos históricos, como os da era colonial.
Devido ao temor de os museus serem forçados a se desfazer de seus acervos, as antigas potências coloniais têm sido lentas em ratificar a convenção: a França o fez em 1997, o Reino Unido, em 2002, a Alemanha, em 2007, a Bélgica, apenas em 2009.
A questão voltou a ganhar evidência em 2016, quando o presidente Patrice Talon, do Benim, exigiu que a França restituísse itens como entalhes, cetros e portas sagradas dos palácios de Abomei, capital do antigo Reino do Daomé. A França se recusou, aludindo a sua legislação.
Macron mostrou ser mais compreensivo com a causa africana. No entanto, a restituição não ocorrerá automaticamente: para iniciá-la, os países africanos devem apresentar um requerimento às autoridades francesas, baseado em listas de inventário.

Polêmica à vista na Alemanha

Enquanto personalidades africanas aplaudem o relatório, curadores e marchands europeus expressaram descontentamento com a perspectiva, argumentando que ela acabaria por esvaziar museus e galerias de países ocidentais. Eles enfatizam que grande parte dos objetos provém de reinos não mais existentes, e que em muitos casos os proprietários podem afirmar terem-nos obtido de forma legítima.
Os críticos igualmente alegam que a medida poderia levar colecionadores particulares da França a retirarem suas obras do país por medo de vê-las confiscadas. Outros levantaram preocupações práticas, como a possibilidade de os artefatos serem roubados ou mal curados por museus inexperientes, em Estados politicamente instáveis.
Outros países europeus também têm examinado criticamente suas coleções de artefatos culturais africanos. Em setembro de 2017, a ministra alemã da Cultura, Monika Gruetters, sugeriu adotar para a África um modelo semelhante ao do Centro Alemão de Propriedade Cultural Perdida, que procura os proprietários de arte saqueada pelo nazistas, a fim de devolvê-la.
O domínio colonial da Alemanha no continente africano durou de 1884 até o fim da Primeira Guerra Mundial e incluiu países como Camarões e a Namíbia. Esse debate poderá se reacender no país em 2019, quando será inaugurado em Berlim o Fórum Humboldt, um grande museu etnológico cujo acervo inclui peças de antigas colônias alemãs.

Fonte: www. terra.com.br

terça-feira, 1 de janeiro de 2019

A arte no continente africano


       

        Quando os europeus, grandes conhecedores da arte naquela época, viram os trabalhos artísticos feitos pelos africanos, os primeiros habitantes do planeta (segundo a própria Arqueologia), eles entenderam que o conhecimento que tinham, na verdade, não podia ser comparado aquelas obras reproduzidas com habilidade, por mãos de homens e mulheres nativos de um continente tão distante.
          O africano pode ser considerado uma soma de riquezas vindas diretamente da natureza e sua manifestação artística era uma reprodução do que eles enxergavam, suas visões sobre o mundo. Afirmo, no entanto, que o africano é semelhante a uma jóia rara que foi ricamente lapidada.
          Para a surpresa de outras civilizações, os africanos já sabiam, há séculos, entalhar em madeira, esculpir e pintar telas. Os Yorùbás e os Hauças, por exemplo, ficaram conhecidos por serem grandes artesãos e tintureiros. Suas obras, que retratavam a ligação que tinham com as divindades, estão permanentemente expostas em museus da França. Vale dizer que até o final do século XVIII a produção artística oriunda da África foi excluída da história da arte ocidental. Somente á partir do século XIX  a Europa veio a reconhecer o valor das manifestações criativas e habilidades destes povos ainda desconhecidos com quem começavam a ter os primeiros contatos.
          Os primeiros estudos e referências sobre a produção artística no continente africano começaram com Leo Frobenius, nos anos 30. Seus relatos reconheciam a existência de uma exuberante civilização, contrapondo-se a visão europeia daquela época, que afirmava ser a África um continente de bárbaros. Os europeus só sabiam daquele pedaço de chão e seus habitantes, aquilo que lhes interessava, pelo ângulo do comércio de escravos. Os saberes históricos, antropológicos e etnológicos falseavam as perspectivas em favor de uma concepção eurocêntrica (Europa como centro do mundo), elaborada na época auge da hegemonia europeia. Essa concepção foi introduzida nas colônias através dos sistemas educacionais implantados pelos colonialistas.
          No início do século XX os historiadores da arte, etnólogos e especialistas em estética começaram a se interessar pela arte negra. Foi apenas a partir dessa década que surgiu então uma outra reflexão deles sobre a arte africana. Respeitada finalmente, a produção artística deles foi submetidas ás leis gerais da economia: oferta e procura. Os salões e exposições de arte, é fato, buscam equilibrar esses dois elementos.
             Surgiu no referido período, um novo modismo, inspirado no interesse pela arte negra. Muitos artistas europeus, na verdade, já conheciam o que era feito na África antes mesmo das obras chegarem a famosos espaços como galerias de arte em Paris e Londres. Máscaras da Costa do Marfim, estatuetas do Benin e figuras esculpidas em marfim chamaram a atenção de artistas como Maurice de Vlamink, Henri Matisse, Pablo Picasso e André Derain. O encontro da arte européia com a africana, esse intercâmbio, gerou um enriquecimento ainda maior na produção feita por lá, no outro lado do oceano. Mesmo assim, é importante afirmar que nunca foi necessário o africano receber influência ou instrução de outro povo para lapidar aquilo que criava. Algo que acabou despertando atenção para essa realidade foi a descoberta e crescente interesse por jazidas de metais preciosos, é claro, motivado por interesses econômicos, atividade essa principalmente dos ingleses. Tudo para eles girava em torno de especulação e lucro.

           No ano de 1897 foram tiradas da África obras fundidas em bronze, encontradas em Benin. Foram levadas pelo ingleses à Europa e nunca mais foram devolvidas aos seus criadores. Inúmeras observações absurdas foram feitas, entre estas, que os africanos aprenderam o que sabiam com os colonizadores e que estes teriam ensinado a manusear o ouro e o ferro. Disseram também que toda a arte feita na África era oriunda da India. Outra vertente dizia que fora transmitida por árabes e que eles passaram a técnica para os negros. Os europeus não conseguiram aceitar que aquelas pessoas de pele escura nasciam já religiosos, eram a primeira raça a habitar na Terra e que nos primórdios, suas obras eram talhadas como representação das suas divindades. É um absurdo dizer e defender a idéia de que os africanos tiveram que aguardar a chegada dos europeus em seus territórios para aprenderem a confeccionar tambores com técnicas melhores, não mais de maneira rudimentar, como já faziam.
           Os achados de Ifé e de Nok, civilizações que floresceram há muitos séculos antes do desembarque dos europeus, comprovaram a grandeza e a originalidade da produção artística feita por lá, bem como o alto nível cultural que tinham.  Esculturas bambara ou bonecas da fertilidade (tyi-wara), Senufo ou bancos, assentos, imagens totênicas, degon, ou figuras antropomórficas dos ancestrais, todas haviam sido feitas por povos que viviam na costa ou na selva atlântica. Bigajós, também figuras de ancestrais, vaca bruta, representações de crianças, adultos e idosos, barcos e pinturas murais na parede das habitações, figuras ligadas a fertilidade na terra Kyssy, estatuetas de pedra, tudo isso veio do Golfo da Guiné. Os baulés (esculturas negras, agni cerâmica, assentos e bancos sacralizados) os Ashantis (máscaras em ouro e figuras ancestrais),  e Yorùbá (tecelagem), pesos em ouro e peças em marfim, confeccionadas por grupos que viviam na região da floresta ocidental do Congo, de Angola, Gabão e Camarões (povo Banto). Falo ainda de outras peças como o há bambum (troncos cobertos de pérolas e conchas), Dualas, canoas e cachimbos), Fang (cabeças bustos e figuras ancestrais), Bakota (objetos para rituais funerários), Bakudas (figuras reais), cilindros de adivinhação e peças em relevo, tudo isso produzido nas regiões sul e oriental africanas, expressões do grupo étnico conhecido como maconde, do Moçambique.
           Aos interessados, as obras e esculturas aqui listadas estão em exposição permanente nos Museu do Homem, em Paris, França.




Fonte: Texto de Gercy Ribeiro, o mestre  Cica de Òyó, no livro "Negras Palavras Gaúchas" edição 2013- Editora Evangraf.