domingo, 22 de fevereiro de 2026

Ancestrais e a diáspora negra



          Eu fico pensando em quando os povos da melanina preta ou negra viviam em harmonia entre si, até serem dominados, sem saber o porquê, pelo próprio semelhante. Eles viviam no mesmo planeta, sendo os primeiros seres humanos criados pelo Criador para formar a humanidade que viveria em cada lugar do planeta terra. No começo, viviam uns próximos dos outros, no meu pensar, com ideias iguais e vivendo na mesma terra e dividindo seus costumes e alimentos, respirando o mesmo ar, e o que interessava a eles era a liberdade num sistema de ir e vir. Como seres humanos nômades que viviam em grupos num certo número de homens, mulheres e crianças, sem saberem, eram acompanhados pelos Òrisàs, seus orientadores em seus percursos, para que no tempo certo, esses seres humanos negros, com o passar dos séculos ou décadas, vieram a deixar semente e continuar com o círculo da vida.

          Ao passar pela terra, no tempo determinado pelo Criador ao criar a humanidade, a cada grupo correspondem um destino e uma tarefa. Nascer, cuidar, orientar os seus e, com o decorrer do fim das suas vidas, se é assim e escrito pelo destino, tornar-se uma ancestralidade para também, de uma forma ou outra, ajudar e orientar quem ele deixou como semente quando esteve de passagem na terra.

          Nossos ancestrais foram também perseguidos na diáspora e sofreram por não concordarem com o que impõem religiosos de outros segmentos. Todos nós somos os mesmos seres, criados pelo mesmo Criador que no começo da humanidade escolheu a negra para ser sua progenitora. Mas o criador já sabia que um dia o filho biológico, por ver sua Mãe com a melanina preta, diferente da dele, iria torná-la sua escrava, e não contente, tornou seus irmãos escravos pelo mesmo motivo. O diferencial, que era a cor, também os escravizou.


Fonte: Mestre Cica de Óyó, Bábàlórisà, escritor, professor do idioma yorubá, pesquisador e   disseminador da ancestralidade negra, em seu livro "O Batuque de Nação Òyó no Rio Grande do Sul".           

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Aquarela Brasileira

 

Pra quem não sabe, é eu, dando pancada no surdo, num carnaval passado.


          A postagem de hoje é de carnaval, em sintonia com nosso momento folia, no compasso certo e na marcação do surdo¹.

   Apesar de omitir o meu estado, Rio Grande do Sul, em toda a extensão  da sua letra, "Aquarela Brasileira", de Silas de Oliveira, é, na minha opinião, o mais belo samba-enredo já escrito.

   Deixo vocês, com samba, e aos que curtem, em especial, fica aqui o apelo:

Se for dirigir e sambar na folia, por favor, não beba.  Bebida e direção não combinam.


Vejam esta maravilha de cenário

é um episódio relicário

que o artista num sonho genial

escolheu para este carnaval

e o asfalto como passarela

será a tela do Brasil em forma de aquarela


Passeando pelas cercanias do Amazonas

conheci vastos seringais

no Pará, a ilha de Marajó

e a velha cabana do Timbó

caminhando ainda um pouco mais

deparei com lindos coqueirais

estava no Ceará, terra de Irapuã

de Iracema e Tupã.


Fiquei radiante de alegria

quando cheguei na Bahia

Bahia de Castro Alves, do acarajé

das noites de magia do candomblé

Depois de atravessar as matas do Ipu

assisti em Pernambuco

a festa do frevo e do maracatu

Brasília tem o seu destaque

na arte, na beleza e arquitetura

feitiço de garoa pela serra

São Paulo engrandece a nossa terra

do Leste por todo o Centro-Oeste

tudo é belo e tem lindo matiz

o Rio dos sambas e batucadas

dos malandros e mulatas

de requebros febris.

Brasil, essas nossas verdes matas

cachoeiras e cascatas

de colorido sutil

e este lindo céu azul de anil

emolduram aquarela o meu Brasil


Lá rá rá rá rá

Lá rá rá rá rá





Samba Enredo 1964 - Aquarela Brasileira

G.R.E.S. Império Serrano (RJ)




1  instrumento percussivo, de afinação e som grave, responsável pela marcação do samba.




sábado, 7 de fevereiro de 2026

Dúvidas

 



   Fevereiro, entre tantas datas sublimes, é também o mês do meu aparecimento (aniversário), por isso, tomo a liberdade de auto homenagear-me, com um poema que nasceu como um divisor de águas da minha presente existência. "Dúvidas" foi nada mais nada menos que a minha primeira criação literária concebida como tal, trabalhada pra ser mostrada à alguém.

   Sintam-se pois, inseridos na minha história com a caneta e recebam os versos como um presente, dado pelo aniversariante aos que visitam-me, aos que já não vem mais ou àqueles que  simplesmente espionam-me com frequência.

                      ♒


         Dúvidas, é o preço pra você viver

                       Dúvidas, percorrem a minha mente

                       Duvidando de tudo e de todos

                       Duvidando até mesmo de mim

                       Muita coisa eu não aprendi

                       Muita coisa não me ensinaram

                       Aqueles anos foram bons pra tantos,

                       Mas pra mim eles somente passaram

                       

                       Tantas páginas já foram viradas,

                        lá se vai mais um verão

                        O medo se uniu à inocência,

                        e quanta coisa já foi feita em vão

                        Um dia ainda vou aprender

                        A noite vai ficar melhor

                        E eu duvido que dúvida vai acabar,

                        mas sobre mim eu não vou mais duvidar.




  

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

A Rainha de 2 de fevereiro



É dia de levar flores para o mar
É dia de dar presentes para Iemanjá

Sabonete, colônia, água de cheiro
Batom, esmalte, rouge, pente, grampo, escova, jóias e espelho


Versos de "Hoje é dia de festa", do músico compositor brasileiro Jorge Ben Jor.