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sábado, 12 de novembro de 2022

O Estado de Proibição

 


         Quem me conhece sabe, periodicamente costumo me manifestar sobre a questão. A postagem de hoje é inspirada num curta metragem  garimpado do you tube. Somente escutando os vários lados envolvidos na temática, se despindo de preconceitos, alguém pode emitir opinião própria sobre essa planta. Livre, principalmente, de falsos moralismos.


Um dos depoimentos do filme é de Cidinha Carvalho, mãe de Clárian, de 16 anos, que sofre de síndrome de Dravet. A doença faz com que a criança tenha convulsões desde antes do primeiro ano de vida, o que pode causar problemas neurológicos.

No caso da jovem, os ataques epilépticos começaram aos 5 meses de idade e aconteciam muitas vezes ao dia, fazendo com que ela tivesse paradas respiratórias e uma cardiorrespiratória. Ela também sofreu de hipotonia, um enfraquecimento do tônus muscular: não conseguia correr, subir escadas ou andar mais de 100 metros.

Após muitas pesquisas na internet, Cidinha descobriu os benefícios da cannabis -- popularmente conhecida como maconha -- para o tratamento das doenças de sua filha, e cogitou até mesmo comprar através do tráfico.

“Pesquisando sobre THC (tetra-hidrocanabidiol) e CBD (canabidiol) [os dois componentes da planta], em 2013, falava-se que THC era uma substância do mal. Hoje sabemos que não é. Mas fiquei com medo de pegar uma rica em THC e de repente perder minha filha”, disse.

No início de 2014 ela conseguiu importar um óleo de canabidiol, que lhe custou US$ 500, dinheiro que não tinha condições de pagar todos os meses. Sua salvação foi conhecer a Rede Secreta -- grupo formado por cultivadores, médicos e advogados -- em um simpósio. Durante três anos, a Rede doou o óleo produzido por eles para Clárian, e as noites de cochilos segurando a mão da filha com medo das crises foram cessando. 

As crises começaram a ser mais leves, conscientes. Depois de oito meses de tratamento, Clárian, que não permanecia em pé, para a surpresa da mãe, começou a pular em cama elástica durante uma festa de aniversário. “Foi impressionante. Era um tônus muscular que minha filha não tinha antes”. lembrou.

Se antes só falava frases incompletas, sem contexto, aos poucos, foi encaixando as palavras e hoje dialoga normalmente.

Desde o início, pensava em cultivar maconha caso a Clárian respondesse bem ao tratamento. Com a melhora impressionante da garota, Cidinha teve certeza que esse seria o caminho, já que o custo em importação é alto.

“O óleo industrializado geralmente tem o CBD isolado e já foi provado que, com a planta toda, o resultado terapêutico é mais eficaz”, acrescentou. Além disso, cultivando, é possível buscar as melhores tipos para o tratamento em específico.

A importação do CBD, geralmente extraído da maconha em forma de óleo, é autorizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) desde 2015. No entanto, o processo para a obtenção do remédio controlado não é simples. Após apresentar a receita e laudo médico, o paciente deve ser cadastrado na Anvisa. O pedido será analisado e, se autorizado, o indivíduo poderá importar o produto a base de canabidiol.

O cultivo é proibido por lei, mas algumas poucas pessoas estão autorizadas por meio de habeas corpus preventivo. Cidinha é uma delas. Após tentar pela Justiça Federal, teve seu pedido negado pela juíza, que se sensibilizou, mas voltou atrás. Foi quando entrou com pedido de habeas corpus, que, nas mãos de outra juíza, foi entendido que o cultivo era caracterizado como tráfico. Com um juiz criminal, a liberação foi finalmente concedida.


Fonte: brasildefato.com.br

Um comentário:

Elvira Carvalho disse...

Por cá também não é permitido o cultivo embora seja permitido o seu uso em casos médicos.
abraço, saúde e bom fim de semana