sábado, 1 de julho de 2023

Nicolas Winton e as 669 crianças salvas

 


          Em 1938, Nicolas Winton, filho de pais judeus, trabalhava como corretor de valores em Londres. Mas, após a ocupação nazista de Praga, Winton decidiu abandonar seu trabalho e dedicar todos os seus esforços a resgatar crianças judias na capital tcheca. 

          Seu plano consistiu em enviá-las para o Reino Unido, onde convenceu as autoridades a deixar com que entrassem mesmo sem ter os documentos necessários.

          Uma vez ali, Winton, que morreu em 2015(em 1º de julho), conseguiu um grupo de famílias para abrigar as crianças.

          Graças a suas ações, 669 crianças sobreviveram ao Holocausto.

        Poucos conheciam a proeza de Winton até que uma apresentadora de TV tornou público seus esforços em 1988.


Fonte: bbc.com/portuguese




                                                                             😍


segunda-feira, 12 de junho de 2023

O velho e o mar - Resenha minha

 


          Pra mim, que já havia lido Hemingway em outra oportunidade e não havia ficado assim tão entusiasmado, “O velho e o mar” acabou sendo grata surpresa. A familiaridade desse autor com o modo de vida e paisagens litorâneas é uma marcante característica que permeia inteiramente o livro desse escritor norte-americano, aproximando-o de leitores “praieiros”, amantes da brisa marítima, areia quente e da imensidão de água salgada, estendida como tapete, horizonte à dentro. Sou natural de uma cidade carinhosamente apelidada de “Noiva do Mar”, por isso me sinto à vontade pra escrever sobre esse assunto, guardadas, é claro, as devidas proporções.  A temática remete-nos a mistério, autorreflexão e solidão, tudo que raramente se encontra no dia-dia urbano. Talvez por isso, tantos sintam-se atraídos pelas ondas do mar, seja presencialmente, seja na pena do poeta ou romancista. “Navegar é preciso”, como forma de afastar o stress, que tantas vítimas faz. Mergulhemos juntos nessa narrativa impregnada de maresia.

          Somente um narrador familiarizado com a realidade fria de se estar só, é o que deduzo, conseguiria escrever uma obra como essa. O velho pescador, protagonista da trama, preenche a esmagadora maioria das páginas do livro num monólogo sincero e espontâneo sobre o seu papel no mundo. As suas reflexões são carregadas de melancolia e vergam-se ao peso dos anos. Apesar do raciocínio ainda rápido, exigido pela profissão, o corpo já não é o mesmo e isso lhe impõe sérias restrições que contribuem decisivamente em sua sorte final.

          Santiago é um velho homem do mar, acostumado a protagonizar no passado grandes façanhas no disputado mundo da pesca, onde a experiência trazida pelo tempo garante, em parte, o sucesso.

“O velho pescador era magro e seco e tinha a parte posterior do pescoço vincada de profundas rugas. As manchas escuras que os raios de sol produzem sempre nos mares tropicais, enchiam-lhe o rosto, estendendo-se ao longo dos braços, e suas mãos estavam cobertas de cicatrizes fundas que haviam sido causadas pela fricção das linhas ásperas  enganchadas em pesados e enormes peixes. Mas nenhumas dessas cicatrizes era recente.

Tudo o que nele existia era velho, com exceção dos olhos que eram da cor do mar, alegres e indomáveis.”

   

          É um livro que, essencialmente, como já ressaltei, discorre sobre a solidão. Não fossem os diálogos com Manolim, o rapaz, seu fiel ajudante, seria inteiramente escrito em forma de monólogo. Mesmo assim, o jovem só aparece no início e bem ao final da narrativa, desenvolvida em torno do velho sozinho, em alto mar, na sua canoa, ás voltas com peixes, tubarões e andorinhas. Santiago lança-se, sem qualquer parceiro,  em sua pequena embarcação, querendo provar a si mesmo que não estava ultrapassado, conforme andavam especulando os seus colegas de ofício. A sua sorte com o anzol, isso era fato, andava escassa e as últimas tentativas de fisgada haviam sido, todas,  em vão. Parte, equipado com todos os apetrechos de um profissional, disposto a recuperar o prestígio e confiança de décadas atrás.

 “O que acontece é que acabou a minha sorte. Mas Quem sabe? Talvez hoje. Cada dia é um novo dia. É melhor ter sorte. Mas eu prefiro fazer as coisas sempre bem. Então se a sorte me sorrir, estou preparado.”

 

          Dispensa a companhia do rapaz, que solicitamente providencia toda a logística necessária pra sua batalha pessoal e de sobrevivência. O inesperado acaba acontecendo e aquilo que deveria ser um dia de pescaria, acaba arrastando-se a uma maratona marítima de três dias. O velho, após frustradas tentativas, acaba fisgando um enorme peixe, que com sua descomunal força, preso ao anzol e linha, arrasta-o à direção incerta, para um passeio mar á dentro. Santiago, conhecedor dos segredos e estatutos da pesca, é paciente e espera o gigante de escamas se cansar, o que acaba levando mais de um dia. Quando a oportunidade, por fim, aparece, com o bicho já exausto, ele é certeiro, cravando mortalmente no peitoral dele o arpão que trouxera consigo. Amarra- o, em ato contínuo, à canoa e vai conduzindo o enorme corpo flutuante de aproximadamente quinhentos quilos em direção à costa.  

          Quando a história parece se encaminhar pra um final feliz, com o triunfo do velho pescador desembarcando no vilarejo com seu mega prêmio, tubarões começam a aparecer pra estragar a festa. Ávidos por carne, alternadamente, os predadores marinhos vão abocanhando aquilo que estava destinado tão somente a mesas humanas. O sangue vertido do volumoso ferimento feito pelo arpão, espalhado na água, acaba sendo um convite. O idoso pescador, bravamente, bem que tenta resistir-lhes, mas lhe faltam forças e armas adequadas. Chegando finalmente à praia, o que resta é tão somente uma carcaça seca presa á canoa. Exausto, fraco, dolorido, ferido nas mãos pela linha de pesca, mal consegue ele arrastar-se á sua cabana. Recebe os cuidados do jovem amigo, Manolim, dorme e, de uma forma não muito clara deparamo-nos com o final. A última ilustração do livro é quem dá o desfecho inequívoco do que, de fato, aconteceu, mas isso não vou ser eu quem vai contar-lhes.

          A obra me conquistou pela simplicidade do enredo e fluidez do texto, típica de um escritor jornalista com o foi Heningway. Tudo é real, familiar e direto ao ponto. O único enigma surge justamente no desfecho e força-nos a reler os parágrafos finais pra tentar entende-lo.

          O autor, segundo consta, se despediu da vida de uma forma um pouco trágica, mas deixou um legado escrito que merece o maior respeito de todos nós. Faço desta uma ótima sugestão pra se ler em férias, durante a viagem.

quinta-feira, 1 de junho de 2023

O Grito

 



                                                        Hoje ouvi que o meu silencio,

                                                  o meu silencio grita,

                                                  Ás vezes grita tão alto,

                                                 que fica em silêncio... me irrita.

                                                 São eles gritos tristes de saudade e de dor,

                                                 Às vezes gritos de paz, liberdade e amor.

                                                 Gritos de piá, gritos de homem e na dificuldade,

                                                 o mais sombrio dos gritos.

                                                 O Grito da fome.

                                                 Mas não só de fome de alimento

                                                 Fome de saber,

                                                 Será que era pra ser assim?

                                                 E já que é, ouço o grito do porquê,

                                                 sem chegar a nenhuma resposta.

                                                 Fecho meus olhos e penso.

                                                 E ouço um grande grito,

                                                 o grito do silêncio.


                                                                                                      J.G.L.R.


         Fonte: Coletãnea "Vozes de um tempo", VOL. 3 (Relatos e vivências de pessoas privadas de liberdade no sistema prisional do Estado do Rio Grande do Sul)- Editora Concórdia- 2017