Os desfiles carnavalescos das principais escolas de samba daqui de Porto Alegre e região metropolitana, como sempre, ocorrem após os festejos de Momo e rolou nesse final de semana. Uma das agremiações aqui do meu bairro fez um belo desfile, desenvolvendo enredo sobre a importância da água, pra nós, pro meio ambiente e dentro da religiosidade.
E já que em nosso país é dito que o ano começa, de fato, só depois do carnaval, começo oficialmente o meu, pedindo que as poéticas e aclamadas Águas de Março venham pra lavar, hidratar, irrigar e principalmente, abençoar o nosso mundo em chamas.
Eu fico pensando em quando os povos da melanina preta ou negra viviam em harmonia entre si, até serem dominados, sem saber o porquê, pelo próprio semelhante. Eles viviam no mesmo planeta, sendo os primeiros seres humanos criados pelo Criador para formar a humanidade que viveria em cada lugar do planeta terra. No começo, viviam uns próximos dos outros, no meu pensar, com ideias iguais e vivendo na mesma terra e dividindo seus costumes e alimentos, respirando o mesmo ar, e o que interessava a eles era a liberdade num sistema de ir e vir. Como seres humanos nômades que viviam em grupos num certo número de homens, mulheres e crianças, sem saberem, eram acompanhados pelos Òrisàs, seus orientadores em seus percursos, para que no tempo certo, esses seres humanos negros, com o passar dos séculos ou décadas, vieram a deixar semente e continuar com o círculo da vida.
Ao passar pela terra, no tempo determinado pelo Criador ao criar a humanidade, a cada grupo correspondem um destino e uma tarefa. Nascer, cuidar, orientar os seus e, com o decorrer do fim das suas vidas, se é assim e escrito pelo destino, tornar-se uma ancestralidade para também, de uma forma ou outra, ajudar e orientar quem ele deixou como semente quando esteve de passagem na terra.
Nossos ancestrais foram também perseguidos na diáspora e sofreram por não concordarem com o que impõem religiosos de outros segmentos. Todos nós somos os mesmos seres, criados pelo mesmo Criador que no começo da humanidade escolheu a negra para ser sua progenitora. Mas o criador já sabia que um dia o filho biológico, por ver sua Mãe com a melanina preta, diferente da dele, iria torná-la sua escrava, e não contente, tornou seus irmãos escravos pelo mesmo motivo. O diferencial, que era a cor, também os escravizou.
Fonte: Mestre Cica de Óyó, Bábàlórisà, escritor, professor do idioma yorubá, pesquisador e disseminador da ancestralidade negra, em seu livro "O Batuque de Nação Òyó no Rio Grande do Sul".
Pra quem não sabe, é eu, dando pancada no surdo, num carnaval passado.
A postagem de hoje é de carnaval, em sintonia com nosso momento folia, no compasso certo e na marcação do surdo¹.
Apesar de omitir o meu estado, Rio Grande do Sul, em toda a extensão da sua letra, "Aquarela Brasileira", de Silas de Oliveira, é, na minha opinião, o mais belo samba-enredo já escrito.
Deixo vocês, com samba, e aos que curtem, em especial, fica aqui o apelo:
Se for dirigir e sambar na folia, por favor, não beba. Bebida e direção não combinam.
Vejam esta maravilha de cenário
é um episódio relicário
que o artista num sonho genial
escolheu para este carnaval
e o asfalto como passarela
será a tela do Brasil em forma de aquarela
Passeando pelas cercanias do Amazonas
conheci vastos seringais
no Pará, a ilha de Marajó
e a velha cabana do Timbó
caminhando ainda um pouco mais
deparei com lindos coqueirais
estava no Ceará, terra de Irapuã
de Iracema e Tupã.
Fiquei radiante de alegria
quando cheguei na Bahia
Bahia de Castro Alves, do acarajé
das noites de magia do candomblé
Depois de atravessar as matas do Ipu
assisti em Pernambuco
a festa do frevo e do maracatu
Brasília tem o seu destaque
na arte, na beleza e arquitetura
feitiço de garoa pela serra
São Paulo engrandece a nossa terra
do Leste por todo o Centro-Oeste
tudo é belo e tem lindo matiz
o Rio dos sambas e batucadas
dos malandros e mulatas
de requebros febris.
Brasil, essas nossas verdes matas
cachoeiras e cascatas
de colorido sutil
e este lindo céu azul de anil
emolduram aquarela o meu Brasil
Lá rá rá rá rá
Lá rá rá rá rá
Samba Enredo 1964 - Aquarela Brasileira
G.R.E.S. Império Serrano (RJ)
1 instrumento percussivo, de afinação e som grave, responsável pela marcação do samba.
Fevereiro, entre tantas datas sublimes, é também o mês do meu aparecimento (aniversário), por isso, tomo a liberdade de auto homenagear-me, com um poema que nasceu como um divisor de águas da minha presente existência. "Dúvidas" foi nada mais nada menos que a minha primeira criação literária concebida como tal, trabalhada pra ser mostrada à alguém.
Sintam-se pois, inseridos na minha história com a caneta e recebam os versos como um presente, dado pelo aniversariante aos que visitam-me, aos que já não vem mais ou àqueles que simplesmente espionam-me com frequência.
Muitos acharão que um título desses, em hipótese alguma, pode se referir ao planeta azul em que vivemos, mas a algum outro, possivelmente numa galáxia distante.
Concordo, a paz dificilmente reinará num mundo onde Donald Trump capitaneia uma grande potência mundial como os U.S.A. Ameaças de guerra ecoam por vários cantos e não é necessário ser estrategista ou cientista político pra prever onde isso pode dar.
A paz ao qual me refiro, no entanto, não vem de fora pra dentro. É aquela calmaria interior que se conquista quando esvaziamos a mente de pensamentos ansiosos, negativos, pesados, que roubam energia e tempo. Não é conquistada da noite pro dia, mas com muito trabalho, persistência e vigilância diária.
A religião e a fé são poderosos aliados nessa dura batalha que consiste em pacificarmos a nós mesmos, por isso, independente de crenças e dogmas, acredito que esse é um ano pra se cultivar espiritualidade e evoluir conceitos. Só assim teremos força e equilíbrio pra lidar com essa tensão toda que anda solta por aí.
Espero que esta te encontre gozando da mais perfeita saúde e , mesmo um tanto quebrantada pela tua frieza em relação a mim, não deixei de querer a tua felicidade, acredite. Não pense que nada me custa aceitar essa nova realidade que se desenha tão tristonha ante o horizonte. Pelo contrário, ela muito me corrói por dentro. Talvez leve um longo tempo até que eu me esqueça completamente de ti, pois muitas coisas divertidas e gratificantes fizemos nós juntas. O passado é agora, no entanto, tudo o que temos pra nos orgulharmos, já que apenas escombros restaram daquilo que um dia foi uma amizade.
Esta é a terceira carta que escrevo sem obter qualquer resposta e percebo estarem sendo infrutíferas as minhas tentativas de reaproximação. Se ao menos eu soubesse o real motivo que te fez erguer esse muro de concreto frio entre nós, poderia argumentar ainda mais algumas linhas pra tentar reverter a situação. Torna-se inútil, porém, lutar contra um fantasma invisível que nos ataca sem que eu o enxergue. Tudo o que sei é que ultimamente andas evitando a minha companhia e nem as mensagens no celular me respondes mais.
Saiba que não insistirei, pois estou fraca, exaurida e sem forças pra escrever algo que talvez esteja sendo transcrito em vão. Lamento que acabe assim, sem quê nem porquê, a nossa ligação construída ao longo de muitos anos. Sempre gostei de receber cartas e executar todo aquele ritual que envolve o recebimento e abertura do envelope lacrado, entregue pelo carteiro. Eras, até então, a única amiga que me proporcionava esse prazer, mantendo comigo uma regular correspondência.
Se vou conseguir substituí-la, isso é uma incógnita cruel. Faço desta missiva a minha derradeira saudação e grito último de adeus. Seja feliz nesse teu novo mundo em que, decididamente , não consigo mais penetrar.
"Tenra e delicada é a flor da amizade,
mas se o verme da desconfiança a
morde, fecha doridamente os olhos
e fenece."
Quando leu essa citação final, que encerrava a tão melancólica carta em suas mãos, Ângela percebeu que magoara a amiga de tantos anos. Sorriu um sorriso estranho, mórbido, expressando nele toda a confusão e desordem mental que vivia naquele instante. Aquela folha de papel era agora um espelho onde se refletia um perfil que ela não havia ainda reparado em si própria. Essa autocontemplação causou-lhe uma imediata crise de consciência. A imagem que viu fez-lhe enrubescer e mentalmente começou a reconstituir os seus últimos encontros com Alice. Sem muito esforço, percebeu que havia de fato enxotado a amiga pra outras pastagens, tratando-a com bastante frieza. A antiga intimidade entre elas tinha acabado há algum tempo e isso lhe doeu naquela hora.
(...)
Trecho do conto "O carteiro", do meu livro-coletânea "O Grande Pajé"- 2011
O ano aqui no Experiência começa na mesma vibração crística que encerrou seu 2025. Falar na importância feminina é , sem dúvida alguma, perpetuar um ensinamento chave de Jesus sobre igualdade de gênero e mérito pessoal na obtenção da graça divina.
Faço dessa, por outro lado, uma postagem em homenagem às minhas seguidoras aqui do blog, que são maioria em número e participação ativa, sem é claro, querer desmerecer os varões.
A figura da mulher
Na lista de assuntos da Bíblia mais questionados, destaca-se o que diz respeito à figura da mulher, já que alguns trechos do livro sagrado deixam implícito que ela teria que desempenhar uma postura submissa ao homem e que casar virgem deveria ser obrigatório.
Para Clélia Peretti, professora de pós-graduação em Teologia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, a figura feminina não deixa de ser fortemente retratada nas escrituras bíblicas, contudo, a tradição impôs, durante muito tempo, que o divino era puramente masculino e que o mesmo se estendia aos receptores da palavra divina, os discípulos. Naturalmente, seus continuadores, os padres, deveriam ser homens, com exclusão da mulher: "Esta concepção patriarcal legitimava a exclusão cultural e social da metade da natureza humana, completa Clélia.
A professora ainda pontua que com a descoberta dos manuscritos de Nag Hammadi e de outros textos bíblicos, o valor do feminino do divino emergiu num condição própria e isso é percebido no Novo Testamento. "O que o Novo Testamento nos traz é de fato uma mensagem de libertação e de promoção efetiva da dignidade e das mulheres, sua presença ativa no Reino de Deus", finaliza.
A mulher e o Novo Testamento
Para Luciano Gomes dos Santos, professor de cultura religiosa da Faculdade de Direito Padre Arnaldo Janssen, também existe uma diferença quanto ao modo como a mulher é vista no Antigo e no Novo Testamento. "No contexto bíblico, o patriarcado sobressai, porém, no Antigo Testamento, a mulher exerce papéis fundamentais na caminhada do povo de Deus: esposa, mãe, profetisa. A mulher defende o seu povo e busca a construção de uma sociedade com menos violência", comenta Luciano.
Para ele, no texto bíblico, a mulher não é inferior ao homem e como Deus contou com a ação de homens para o seu projeto, contou também com diversas mulheres na edificação da comunidade do povo. "No Novo Testamento, Jesus inaugura uma nova relação com as mulheres. Há um reconhecimento de sua dignidade. A figura central feminina é a jovem Maria que é escolhida para ser a mão de Jesus, conforme Evangelho de Lucas. As mulheres são as primeiras destinatárias do Evangelho, da mensagem da ressureição de Cristo. Segundo Jesus, elas não são inferiores aos homens, ideia que resgata a dignidade feminina, completa o professor.