quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

2026, o ano da paz.


           


       Muitos acharão que um título desses, em hipótese alguma, pode se referir ao planeta azul em que vivemos, mas a algum outro, possivelmente numa galáxia distante.

       Concordo, a paz dificilmente reinará num mundo onde Donald Trump capitaneia uma grande potência mundial como os U.S.A. Ameaças de guerra ecoam por vários cantos e não é necessário ser estrategista ou cientista político pra prever onde isso pode dar.

        A paz ao qual me refiro, no entanto, não vem de fora pra dentro. É aquela calmaria interior que se conquista quando esvaziamos a mente de pensamentos ansiosos, negativos, pesados, que roubam energia e tempo. Não é conquistada da noite pro dia, mas com muito trabalho, persistência e vigilância diária. 

          A religião e a fé são poderosos aliados nessa dura  batalha que consiste em pacificarmos a nós mesmos, por isso, independente de crenças e dogmas, acredito que esse é um ano pra se cultivar espiritualidade e evoluir conceitos. Só assim teremos força e equilíbrio pra lidar com essa tensão toda que anda solta por aí. 

          Que a paz esteja com vocês. 


                             


quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Delicada flor da amizade


 

          Porto Alegre, 7 de dezembro de 2000


   Espero que esta te encontre gozando da mais perfeita saúde e , mesmo um tanto quebrantada pela tua frieza em relação a mim, não deixei de querer a tua felicidade, acredite. Não pense que nada me custa aceitar essa nova realidade que se desenha tão tristonha ante o horizonte. Pelo contrário, ela muito me corrói por dentro. Talvez leve um longo tempo até que eu me esqueça completamente de ti, pois muitas coisas divertidas e gratificantes fizemos nós juntas. O passado é agora, no entanto, tudo o que temos pra nos orgulharmos, já que apenas escombros restaram daquilo que um dia foi uma amizade.

   Esta é a terceira carta que escrevo sem obter qualquer resposta e percebo estarem sendo infrutíferas as minhas tentativas de reaproximação. Se ao menos eu soubesse o real motivo que te fez erguer esse muro de concreto frio entre nós, poderia argumentar ainda mais algumas linhas pra tentar reverter a situação. Torna-se inútil, porém, lutar contra um fantasma invisível que nos ataca sem que eu o enxergue. Tudo o que sei é que ultimamente andas evitando a minha companhia e nem as mensagens no celular me respondes mais.

   Saiba que não insistirei, pois estou fraca, exaurida e sem forças pra escrever algo que talvez esteja sendo transcrito em vão. Lamento que acabe assim, sem quê nem porquê, a nossa ligação construída ao longo de muitos anos. Sempre gostei de receber cartas e executar todo aquele ritual que envolve o recebimento e abertura do envelope lacrado, entregue pelo carteiro. Eras, até então, a única amiga que me proporcionava  esse prazer, mantendo comigo uma regular correspondência.

   Se vou conseguir substituí-la, isso é uma incógnita cruel. Faço desta missiva a minha derradeira saudação e grito último de adeus. Seja feliz nesse teu novo mundo em que, decididamente , não consigo mais penetrar.


  "Tenra e delicada é a flor da amizade,

mas se o verme da desconfiança a

morde, fecha doridamente os olhos

e fenece."


          Quando leu essa citação final, que encerrava a tão melancólica carta em suas mãos, Ângela percebeu que magoara a amiga de tantos anos. Sorriu um sorriso estranho, mórbido, expressando nele toda a confusão e desordem mental que vivia naquele instante. Aquela folha de papel era agora um espelho onde se refletia um perfil que ela não havia ainda reparado em si própria. Essa autocontemplação causou-lhe uma imediata crise de consciência. A imagem que viu fez-lhe enrubescer e mentalmente começou a reconstituir os seus últimos encontros com Alice. Sem muito esforço, percebeu que havia de fato enxotado a amiga pra outras pastagens, tratando-a com bastante frieza. A antiga intimidade entre elas tinha acabado há algum tempo e isso lhe doeu naquela hora.

                                                     (...)


Trecho do conto "O carteiro", do meu livro-coletânea "O Grande Pajé"- 2011


                                                

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

A mulher na Bíblia

                           

                       

     O ano aqui no Experiência começa na mesma vibração crística que encerrou seu 2025. Falar na importância feminina é , sem dúvida alguma, perpetuar um ensinamento chave de Jesus sobre igualdade de gênero e mérito pessoal na obtenção da graça divina.

    Faço dessa, por outro lado, uma postagem em homenagem às minhas seguidoras aqui do blog, que são maioria em número e participação ativa, sem é claro, querer desmerecer os varões.

          

                      

                                          A figura da mulher 

                Na lista de assuntos da Bíblia mais questionados, destaca-se o que diz respeito à figura da mulher, já que alguns trechos do livro sagrado deixam implícito que ela teria que desempenhar uma postura submissa ao homem e que casar virgem deveria ser obrigatório.

         Para Clélia Peretti, professora de pós-graduação em Teologia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, a figura feminina não deixa de ser fortemente retratada nas escrituras bíblicas, contudo, a tradição impôs, durante muito tempo, que o divino era puramente masculino e que o mesmo se estendia aos receptores da palavra divina, os discípulos. Naturalmente, seus continuadores, os padres, deveriam ser homens, com exclusão da mulher: "Esta concepção patriarcal legitimava a exclusão cultural e social da metade da natureza humana, completa Clélia.

     A professora ainda pontua que com a descoberta dos manuscritos de Nag Hammadi e de outros textos bíblicos, o valor do feminino do divino emergiu num condição própria e isso é percebido no Novo Testamento. "O que o Novo Testamento nos traz é de fato uma mensagem de libertação e de promoção efetiva da dignidade e das mulheres, sua presença ativa no Reino de Deus", finaliza.


                                   A mulher e o Novo Testamento


          Para Luciano Gomes dos Santos, professor de cultura religiosa da Faculdade de Direito Padre Arnaldo Janssen, também existe uma diferença quanto ao modo como a mulher é vista no Antigo e no Novo Testamento. "No contexto bíblico, o patriarcado sobressai, porém, no Antigo Testamento, a mulher exerce papéis fundamentais na caminhada do povo de Deus: esposa, mãe, profetisa. A mulher defende o seu povo e busca a construção de uma sociedade com menos violência", comenta Luciano.
              Para ele, no texto bíblico, a mulher não é inferior ao homem e como Deus contou com a ação de homens para o seu projeto, contou também com diversas mulheres na edificação da comunidade do povo. "No Novo Testamento, Jesus inaugura uma nova relação com as mulheres. Há um reconhecimento de sua dignidade. A figura central feminina é a jovem Maria que é escolhida para ser a mão de Jesus, conforme Evangelho de Lucas. As mulheres são as primeiras destinatárias do Evangelho, da mensagem da ressureição de Cristo. Segundo Jesus, elas não são inferiores aos homens, ideia que resgata a dignidade feminina, completa o professor.


Fonte: Maria Madalena- Coleção História em Foco - Ano 5, nº 13 - 2018- Revista da               Editora Alto Astral