Ramayana, o nascimento de uma lenda", película da Sony Pictures, ainda não estreou aqui no Brasil, mas já pode ser visto em alguns países.
Alguns de vocês devem lembrar que eu já apresentei aqui, umas duas vezes, alguns trechos desse épico indiano escrito por Valmiki. Sou portanto, suspeito pra falar imparcialmente sobre a história, apesar de não ter ainda assistido o filme, permanecendo, ainda, em total expectativa.
E pra não perder a nova oportunidade surgida, deixo-vos, mais uma vez, com o texto original, que narra a saga do Príncipe Rama, encarnação divina que brilha no coração de seus devotos espalhados pelo mundo todo, principalmente na Índia sagrada.
Grande proeza de Rama
(...) Ao chegar aos cumes do Himalaia, Hanumate apresentou os valentes guerreiros ao magnânimo Sugriva:
-- Eis aqui o prudente Rama, de longos braços, filho do rei Dasárata, que vem buscando a tua proteção. Um racsasa roubou-lhe a esposa Sita por meio de magia. Em seu infortúnio, Rama e Lacsmana, seu irmão, desejam teu apoio.
O rei dos monos tomou de súbito a forma humana e, revestido de exterior admirável, disse a Rama:
-- Tua grandeza é paralela ao dever, revestida de valor, amiga do bem. Se não desdenhas minha natureza de mono e queres ser amigo, se desejas aliar-te comigo, estendo-te meu braço, estreita a tua mão na minha e desde este momento permaneceremos solidamente unidos.
Rama apertou a mão do mono e este fez o mesmo e , abrasado de amizade por seu hóspede, abraçou estreitamente o icsváquida e disse ao filho do rei Dasárata:
-- Acalma a tua dor, guerreiro de longos braços! Juro-te em verdade, que conheço, por igualdade de circunstâncias, quem te roubou a esposa! Indubitavelmente, a mulher que um racsasa levava nos braços e que gritava "Rama! ...Lacsmana!...Rama, Rama!..." é tua esposa. Ela me viu numa meseta de montanha onde me encontrava com outros quatro monos e arrojou-me rapidamente seu vestido e as brilhantes jóias. Esses objetos, que recolhemos, estão aqui, filho de Ragu. Vou trazê-los para que os reconheças.
-- Traze-os depressa! -- respondeu o dasarátida.
Desejoso de agradar o hóspede, Sugriva fez Rama entrar numa caverna inacessível da montanha e lhe pôs diante as jóias resplandescentes e o vestido e disse-lhe:
-- Olha!
No instante em que o ráguida reconheceu os objetos, sua firmeza abandonou-o e caiu no chão. Levou ao coração os adereços e exclamou:
-- Sugriva, dize-me, para que lugares se dirigiu esse feroz demônio, sequestrador de minha bem-amada, cara tal minha vida? Onde reside esse racsasa?
O rei dos monos estreitou amorosamente o ráguida entre os braços e aflito falou ao esposo de Sita, que chorava:
-- Não conheço bastante a casa, a força, a bravura, a raça, desse vil e malvado demônio. Serena, contudo, a tua dor, domador invencível de inimigos, pois te prometo que empregarei todos os esforços para descobrir a nobre djanáquida. Não te abandones à dor! Não pretendo ensinar-te a bondade, Rama, já que é um dom que recebeste da natureza. Atende, porém, aos conselhos de um coração amigo e não gemas.
Docemente serenado por Sugriva, o augusto cacútisda enxugou as lágrimas com a ponta da veste, abraçou o rei dos monos e disse-lhe:
-- Amigo como tu é raro tesouro em nossos dias. É preciso que empregues teus esforços em buscar a minha cara mitilana e o cruel demônio, de alma perversa, chamado Ravana. Aponta-me sinceramente a conduta que me cumpre seguir. Que minha felicidade nasça de ti como a messe nasce da chuva benfazeja em terra fecunda. (...)


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