sábado, 12 de agosto de 2023

À quem interessar possa, férias.

            


                    Situação funcional: De férias, finalmente. Não me queixo do meu trabalho, sou grato à ele, mas não ter muito compromisso com horário, durante quatro longas semanas, é bom. Organizar idéias e por elas no papel, é um compromisso. Ando meio preguiçoso, não tenho muita pretensão, mas alguma coisa nova vai sair, podem escrever. Quem sabe o número de postagens aumentem, por sua vez, nesse mês. É ver pra crer, é visitar pra confirmar. 

           Em  meu peito, já é primavera. Férias é 10, se é que vocês me entendem.

domingo, 30 de julho de 2023

O Rio Guaíba e o Àse.

           


          Os nossos mais velhos, nossas ancestralidades, usavam o Rio Guaíba para fazerem suas ofertas em Àse, uma tradição que está até o dia de hoje em nossa prática e da qual eu utilizo. Se olharmos para a Nigéria, no continente africano, lá quem é da tradição cultual Òsun tem o rio com seu próprio nome, Yemojá que é o rio Ògun e aqui temos o Rio Guaíba, o lugar onde os primeiros Bàbálórisà e Iyálórisà levavam suas obrigações para agradar as Divindades de Odó (rio).

          E vejam bem, também Yemojá, ainda que seja vista desde épocas antigas como divindade dos mares e oceanos. Mas no continente africano nem todos estão em volta do mar, Yemojá também é reverenciada em rio. Foi o que aconteceu aqui e ainda acontece até nos dias de hoje.

          Eu não vou levar uma canjica para o pai Osàlá ou quem mais recebe no mar, pela distância a que estou. Eu levo em Ipanema, no Rio Guaíba, chamo por Yemojá e ela me atende, como se fosse no mar. Vendo por esse lado, também vejo que o povo Yorùbá, depois da abolição, ao ofertar suas obrigações levavam ao rio, só mudaram de local pela história da diáspora, mas seus olhares e pensamentos quando olhavam para o Rio (odò) Guaíba ao despachar algo, posso até pensar que viviam em lembranças sobre histórias contadas pelos seus pais e parentes sobre África relacionada em odò (rio).

          

Do livro O Batuque de Nação Òyó no Rio Grande do Sul- Mestre Cica de Òyó- Hucitec Editora/2021

Já falei sobre esse autor, uma autoridade em cultura africana,  por aqui, mas desse obra falarei mais, na sequência.

quinta-feira, 13 de julho de 2023

Traduzir-se

                                                    



Uma parte de mim é todo mundo                Outra parte é ninguém, fundo sem fundo

Uma parte de mim é multidão                      Outra parte estranheza e solidão

Uma parte de mim pesa, pondera                Outra delira

Uma parte de mim almoça e janta               Outra parte se espanta

Uma parte de mim é permanente                Outra parte se sabe de repente

Uma parte de mim é só vertigem                 Outra parte linguagem


                                    Traduzir uma parte na outra parte

                                    Que é uma questão de vida e morte

                                                       Será arte?



Poema de Ferreira Gullar, A diagramação foi transcrita do encarte do álbum (LP) homônimo de Raimundo Fagner, lançado aqui no Brasil em 1981.