domingo, 26 de julho de 2026

Caminhos imprecisos

 


Meu caminho de volta eu fiz contando estrelas,

brincando com seus reflexos na minha pele e no chão.

Eu estava olhando o chão.

Pulava amarelinha em quadrados imaginários de giz

e ia saltando, de um em um, de dois em dois, 

tentando chegar ao céu.

Fiz curvas fechadas, vi precipícios, escapei deles,

porque asas transparentes sempre me seguraram.

Mesmo assim cheguei a ver o fundo, lá no fundo

aquele escuro que não se sabe onde termina,

porque nunca se viu onde começou.

E ainda guardo as marcas brilhantes e invisíveis

aos olhos comuns como os meus

das asas que me guardaram e sei que guardam

quando saio pela rua a contar estrelas

e a pular amarelinha nas calçadas,

tentando fazer o caminho de volta

pensando ser o caminho de ida.



Fonte: "Pintura Ingênua", poemas de Jacqueline Aisenman.

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