Meu caminho de volta eu fiz contando estrelas,
brincando com seus reflexos na minha pele e no chão.
Eu estava olhando o chão.
Pulava amarelinha em quadrados imaginários de giz
e ia saltando, de um em um, de dois em dois,
tentando chegar ao céu.
Fiz curvas fechadas, vi precipícios, escapei deles,
porque asas transparentes sempre me seguraram.
Mesmo assim cheguei a ver o fundo, lá no fundo
aquele escuro que não se sabe onde termina,
porque nunca se viu onde começou.
E ainda guardo as marcas brilhantes e invisíveis
aos olhos comuns como os meus
das asas que me guardaram e sei que guardam
quando saio pela rua a contar estrelas
e a pular amarelinha nas calçadas,
tentando fazer o caminho de volta
pensando ser o caminho de ida.
Fonte: "Pintura Ingênua", poemas de Jacqueline Aisenman.

Um comentário:
Deus caritas est!
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