Meu caminho de volta eu fiz contando estrelas,
brincando com seus reflexos na minha pele e no chão.
Eu estava olhando o chão.
Pulava amarelinha em quadrados imaginários de giz
e ia saltando, de um em um, de dois em dois,
tentando chegar ao céu.
Fiz curvas fechadas, vi precipícios, escapei deles,
porque asas transparentes sempre me seguraram.
Mesmo assim cheguei a ver o fundo, lá no fundo
aquele escuro que não se sabe onde termina,
porque nunca se viu onde começou.
E ainda guardo as marcas brilhantes e invisíveis
aos olhos comuns como os meus
das asas que me guardaram e sei que guardam
quando saio pela rua a contar estrelas
e a pular amarelinha nas calçadas,
tentando fazer o caminho de volta
pensando ser o caminho de ida.
Fonte: "Pintura Ingênua", poemas de Jacqueline Aisenman.

9 comentários:
Deus caritas est!
Boa tarde meu querido e grande amigo Cesar. Desculpe na demora da resposta, não conseguia acessar o seu Blogger. A exposição do CCBB-RJ é maravilhosa. Vendo.na televisão, as enchentes em muitas do Rio Grande do Sul, espero que esteja tudo bem com você e seus familiares. Uma excelente tarde de quarta-feira e um grande abraço do seu amigo carioca.
Lindíssimo!
E quantas vezes assim não é?... "tentando fazer o caminho de volta
pensando ser o caminho de ida."
Beijinhos.
Quando temos apoio, os altos e baixos da vida parecem mais amenos. O problema, hoje em dia, é o individualismo de vocês humanos.
Nova Tirinha Publicada. 😼
Abraços 🐾 Garfield Tirinhas Oficial.
Lovely poem. Thank you so much for sharing.
Cesar, escreves muito bem!
Saudações de verão da minha Eslovénia... Andreja!
A ida e a volta sempre se confundem quando caminhamos sem destino certo. Gostei muito.
Tudo de bom.
Um beijo.
Um bonito poema!
Aproveito para desejar um bom fim-de-semana!
Bjxxx,
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Identifiquei-me com o poema. Obrigada pela partilha! Saudações.
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